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		<title>Zeca Tcheco: 42 anos de engenho e arte e a “confusão agradável” em que se encontra a música moçambicana</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 10:06:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gm54</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música Moçambicana]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_1926" class="wp-caption aligncenter" style="width: 394px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/zeca-tcheco.jpg"><img class="size-full wp-image-1926" title="Zeca Tcheco" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/zeca-tcheco.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Zeca Tcheco no Estúdio Auditório da Rádio Moçambique em mais um ensaio com o Grpo RM</p></div>
<p><em>Por Francisco Manjate</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><em>Nasceu há 60 anos e é um dos exímios bateristas que Moçambique produziu. O seu nome há muito que está guindado nos anais da “pauta musical”: Zeca Tcheco! Com 42 anos de carreira, tem um percurso musical de causar inveja. Com as suas baquetas já tocou quase todos os ritmos. Da marrabenta ao jazz, passando pelo rock, afro, bossa nova, samba, rumba. Até fado ele tocou. Nesta entrevista, o baterista faz uma viagem pelo tempo, fala das suas paixões musicais, das amizades e traça um olhar crítico sobre a nossa música, afirmando mesmo que ela, neste momento, encontra-se numa “confusão agradável”. Enfim, um homem maduro e artista experiente, Zeca Tcheco – um dos membros fundadores do conceituado Grupo RM &#8211; fala da vida e dos homens.</em></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Que desafios ainda existem para um artista que já conta com 60 anos de vida e 42 de carreira?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Os desafios são, naturalmente, muitos. Até porque nós morremos a aprender. Depois, existem projectos que são de longo prazo e ficamos à espera de uma oportunidade para realizá-los. Mas é gratificante quando olhamos para trás e vemos que, ao longo do nosso percurso, fizemos coisas boas…</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Agora, qual é a sua luta?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- A minha luta é, se calhar, numa direcção contrária a de muitos, porque há quem diga que, na arena musical, o maior sonho de um músico é gravar um disco musical. Essa é a ambição de alguns músicos. Mas nem todo o músico é compositor e nem todo o compositor é cantor, por isso, como compositor, faço música e depois vejo a voz que se adapta àquilo que pretendo e vou buscar esse músico para cantar o que fiz. Já fui ter com Mingas, a Zulfa já cantou as minhas músicas, tal como aconteceu também com José Barata. Agora, um álbum meu seria, por exemplo, a selecção dos músicos que dei as minhas canções para cantarem.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Portanto, assume-se puramente um instrumentista, para lá de outras particularidades?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Sim, eu não sou cantor e nem quero fazer experiências desse género, embora não saibamos o que poderá acontecer amanhã. Quero sempre, isso sim, fazer música e nos moldes nos quais trabalhei que é ir buscar os músicos que acho que podem cantar muito bem as minhas canções e dar-lhes para fazerem isso.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Mas muitos ainda não conseguem destrinçar uma coisa da outra.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- O que eu critico é essa falta de clareza. É preciso saber que há compositores que não são cantores e não há vergonha nisso, embora hajam compositores cantores. Por exemplo, a Whitney Houston ou o Michael Jackson e ainda tantas outras lendas da música no mundo cantaram músicas que não foram feitas por eles. Eles têm os seus compositores que fazem as canções e lhes dão para interpretarem. Porque é que um bom cantor não vai procurar um bom compositor ou um bom compositor não procurar um bom cantor.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Assim forma-se uma equipa multifacetada e mais completa.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- É sim. É como na construção civil onde temos várias equipas de especialistas a trabalharem na mesma obra, há engenheiros de construção civil, de decoração, arquitectos, portanto, um conjunto de pessoas que está ali para pôr o edifício belo, cada qual na sua área, mas a fazerem um trabalho único. Esse é o apelo que faço aos jovens. É bom saberem acasalar todas essas sensibilidades: compositores, cantores, instrumentistas e arranjistas. É que sozinho não é possível fazer tudo isso e ainda querer ser produtor.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Mas, aos 60 anos de idade, e com 42 anos de carreira, quais são ainda os seus sonhos?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- O que eu gostaria era realizar um grande festival musical, numa dimensão que a mantenho em segredo – porque não quero anunciar isso e depois apropriarem-se das minhas ideias e fazerem de uma forma muito errada e contrária ao que defini. Gostaria também que o Grupo RM tivesse um disco, como Grupo RM. Veja que desde 1979 nós não temos um disco como banda. Participamos no Projecto Orquestra Marrabenta, que basicamente era composto pelo Grupo RM, gravamos um álbum, mas teve o nome de Orquestra Marrabenta. Paris, França, fomos gravar o disco “Baila Maria”, que ficou registado como da banda Moya. Mas esse grupo era formado basicamente pelos elementos do Grupo RM.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Até porque esses são sonhos realizáveis…</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Penso que sim. Até porque já estamos no fim da gravação de uma série de temas que poderão vir a compor esse projecto de disco. Mas, enquanto nós avançamos com a nossa parte, deparamos com a questão financeira, pois conseguimos gravar porque temos os estúdios da Rádio Moçambique, mas a edição do disco exige fundos. E quando vai aparecer o dinheiro é o que não sabemos. E enquanto não atingir esse objectivo não ficarei satisfeito.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Quando é que estará concluído pelo menos a parte que vos cabe?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- No geral, nós continuaremos a lutar para que o projecto esteja concluído e o disco seja lançado ainda este ano. O desejável até seria que fosse em Outubro, que é o mês da Rádio Moçambique. Se isso não acontecer teremos que continuar à espera de uma oportunidade financeira qualquer.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Até porque a ser lançado o disco do Grupo RM, seria um grande brinde para si.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- É verdade, seria um grande brinde. Mas tudo é possível, desde que haja força de vontade, não só minha e dos meus colegas, mas de todos que estão envolvidos no projecto.</p>
<div id="attachment_1927" class="wp-caption aligncenter" style="width: 397px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/ztecheco_egmts.jpg"><img class="size-full wp-image-1927" title="Ztecheco_egmts" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/ztecheco_egmts.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Grupo RM actuando em Estoril, Portugal, em 1981</p></div>
<p><strong>MÚSICA MOÇAMBICANA: UMA “CONFUSÃO AGRADÁVEL”</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Aos 60 anos de idade e com 42 anos de carreira, que olhar tem sobre a música moçambicana?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Neste momento, essa é minha opinião, há uma “confusão agradável” na música moçambicana, porque estamos numa fase em que temos muitos jovens a fazerem música, alguns dos quais optaram por produzir ritmos como pandza, hip-hop, rap. Por outro lado, há outros jovens que se agarraram à música de raiz. Temos exemplos dos Timbila Muzimba, que fazem música tradicional, a banda Kakana, Djaaka e ou Massukos. Isso para mim é muito bom porque mesmo o pandza tem muito a ver com marrabenta, ela tem uma base muito forte de marrabenta. Portanto, esses jovens que fazem isso não estão muito longe daquilo que é nosso. A música tem várias frentes e isso é muito bom.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Aliás, temos o exemplo de Denny OG, o seu filho, que está na música, mas não seguiu exactamente a sua perspectiva.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Sim, o meu filho tem a sua perspectiva. Ele fazia rap e depois saltou para o pandza. É como outros da idade dele que faziam “play-back”, mas hoje vemos que há uma preocupação de quererem trabalhar com bandas. Isso representa uma evolução. A música é como a língua, ela não é estática, daí que não podemos continuar a tocar da mesma maneira a marrabenta tal como tocavam os conjuntos João Domingos ou Djambo. O mais importante é manter isso como nossa grande referência. Eu também que apareci depois do Djambo e sempre procurei mostrar algo diferente. É o que esses jovens estão a fazer.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Mas, critica-se muito o facto de só recorrerem aos computadores. Tudo muito sintético?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Sim. Eu também não sou a favor disso. Nunca fui e jamais serei. Quando a música é tocada nos computadores deturpa a essência, vai contra o original. Mas já com banda temos espectáculo e isso é bom, é diferente. O computador mantém a música estática, fica tudo na mesma, enquanto que com banda há uma evolução, pois obriga os instrumentistas a viajarem e a investigarem constantemente.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- E qual é a dica que deixa?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- O que a malta jovem tem que saber é que a música é algo muito séria. É preciso ter sempre exercícios melódicos, exercitar a voz e o canto, as cordas vocais. É como alguém que vai correr e hoje faz 50 metros, mas amanhã vai fazer mais., portanto, evolui. Não basta dormir e acordar dizer que vai fazer música. Isso é um trabalho muito sério.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Estaremos então no bom caminho?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- A música moçambicana não está tão mal como se pode pensar. Eu penso que o caminho que estamos a trilhar é salutar. Hoje já temos muitos bons compositores, bons instrumentistas e bons músicos, sobretudo cantoras. Há muitas mulheres que cantam muito bem. Acho que elas ganharam coragem e estão a fazer coisas maravilhosas, estão a pesquisar a música e a aprofundar os seus conhecimentos, o que demonstra que elas são capazes.</p>
<p><strong>JAIMITO MALHATINE: UMA ESCOLA!</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Fale de Jaimito Malhatine, essa figura lendária.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Falar de Jaimito na música é o mesmo que falar de mim ou mesmo de um Pedro Cumaio, porque essas três pessoas foram família na arena musical. Eu cresci na música a trabalhar com essas duas pessoas. E mais tarde o Abel Chemane. Eu aprendi tanta coisa na música com Jaimito e Pedro Cumaio. Estávamos sempre juntos a ouvir música, a ensaiar. Passeávamos sempre juntos.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Onde ensaiavam?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Tínhamos um espaço chamado Escola do Acordeão, onde no princípio alugavam-se os estúdios, mas como frequentávamos e ensaiávamos ali chegou uma altura que deixaram de nos cobrar, numa altura em que não era fácil isso. Mesmo quando essa escola passou para onde hoje funciona a messe da Polícia, continuamos a ter acesso aos estúdios…</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- É daí que nasce o trio “Experiência”?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Nós formamos o trio “Experiência” e tocamos juntos durante muitos anos. E até nos separarmos continuamos sempre amigos, porque havia uma grande amizade.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- O que sente quando vês hoje o Jaimito desamparado?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- É muito doloroso e frustrante para mim, não. Não imaginas ver um irmão com quem convivi naquela situação. É doloroso, é chato. Para mim é como se ele estivesse morto porque está inútil. Não faz nada senão aquilo que escreve (em pedaços de papeis em frente a Rádio Moçambique) e cada um interpreta como acha. O que me interessa não é que ele escreva coisas com sentido, mas é ele voltar a ser o que era. Eu fico muito magoado com tudo isso. E se pudéssemos voltar a termos o homem e o grande guitarrista, para que possamos trabalhar como antigamente, embora essa seja como que uma hipótese quase remota. Talvez algum dia alguém o pegue para ser recuperado, pois eu não tenho forças para fazer isso. O que posso fazer é só lamentar.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- E há muita coisa que ele fez e deixou como legado.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- As composições de Jaimito são únicas. Há muita coisa de Jaimito, embora só se conheça o tema instrumental “Magica”. Ele fez muitos temas que foram cantados por Wazimbo e Pedro Ben.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Tocou com muitos músicos. Isso o ajudou a crescer musicalmente.</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Sim, porque antes de eu, Jaimito e Pedro Cumaio formarmos o “Experiência” tinha o “Soul Band” e quando se desfez o grupo comecei a tocar nos cabarés. Nessa altura não tinha banda, era um músico independente. De dia ensaiava para ir tocar a noite, sempre com grupos diferentes. Toquei tango, pachanga, que é um ritmo de que já não se fala, merengue, bossa nova, samba e até fado que muitas vezes não levava bateria. Isso só me favoreceu porque quando comecei a tocar marrabenta baseei-me naqueles ritmos que já tocava há muito tempo, o que fez com que eu volta à marrabenta. Alguns até diziam que o que eu tocava não era marrabenta, mas insisti e depois a moda pegou. Isso foi produto dessa vida musical que tive, ouvindo muita música e a tocar muito vários ritmos.</p>
<p><strong>UMA PASSAGEM PELO CASINO ESTORIL </strong></p>
<div id="attachment_1925" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/zecatecheco.jpg"><img class="size-full wp-image-1925" title="Zecatecheco" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/zecatecheco.jpg?w=450&#038;h=354" alt="" width="450" height="354" /></a><p class="wp-caption-text">Estada em Portugal. Zeca com José Mucavele e Milagre Langa</p></div>
<p><strong>- Esteve em Portugal, onde tocou no Casino Estoril. Como foi isso?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Esse projecto nos foi arranjado na altura pelo secretário de Estado da Cultura, Luís Bernardo Honwana, onde fui com Alípio Cruz, Chico António, José Guimarães, José Mucavele, Sox, Izildo Gomes e Milagre Langa. Depois de termos tocado lá e no fim do contrato fiquei mais um tempo a tocar num cabaret lá em Portugal, numa banda onde o líder era brasileiro.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- O que tocavam?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Ele como brasileiro gostava de tocar ritmos brasileiros. E, o mais engraçado é que eu tinha um domínio sobre esses ritmos e às vezes ele perguntava se eu estivera no Brasil e como aprendi a tocar tudo aquilo. Eu expliquei que foi em Moçambique. Quer dizer, o exercício de aprendizagem que tive cá valeu-me muito lá.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Uma experiência agradável…</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Uma experiência agradável.</p>
<div id="attachment_1928" class="wp-caption aligncenter" style="width: 393px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/zeca-tcheco-e-sox.jpg"><img class="size-full wp-image-1928" title="Zeca Tcheco e Sox" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/zeca-tcheco-e-sox.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Zeca Tcheco e Sox (Guitarrista), dois dos fundadores do Grupo RM</p></div>
<p><strong>UMA DISCOTECA, VÁRIOS RITMOS</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<p><strong>- Tem uma discoteca em casa e o que colecciona?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Quase tudo. Jazz, afro-jazz, fusão, blues, bossa nova, música moçambicana, que não podia faltar, música africana de Angola, Zimbabwe, África do Sul, Congo, etc.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- São centenas de discos?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- São alguns discos. O mais difícil é comprar discos, porque são caros e quase não existem. A única saída é através da África do Sul ou na Europa, com amigos, porque é sempre bom ter um bom disco original. Mas na impossibilidade pede-se sempre uma cópia a um amigo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Há um músico que ouve com regularidade?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- São vários. Gosto, por exemplo, de David Walker, Richard Bona, Dollar Brand. Gosto também de ouvir um pianista, que toca a solo, chamado Kate Gerard, há um grupo africano chamado Ultramarino, aprecio os pianistas sul-africanos…</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Não tem, portanto, um estilo musical padronizado?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Não, não. Hoje está tudo muito diversificado, por isso gosto de explorar essas possibilidades que se abrem ao mundo.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Hoje só está no Grupo RM?</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Estou na banda e também sou produtor musical. E quando há trabalhos de pesquisa e recolha de música tradicional eu vou e faço isso. Estou também envolvido nas gravações e nas produções musicais.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>- Com uma carreira de 42 anos, deu para acumular dinheiro e ficar rico? (risos)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">- Eu estou rico de ideias. Em termos de dinheiro não estou rico e nem estou bem… (risos)</p>
<p style="text-align:justify;">Por Francisco Manjate</p>
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		<title>Memórias perdidas, Identidades sem cidadania (*)</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 09:40:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gm54</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160; Por Ungulani Ba ka Khosa Permitam-me que conte um episódio que para muitos, ao tempo da história, terá parecido ridículo, inusitado, extemporâneo, pois aos olhos do tempo o momento era de reassentamento da população deslocada pela guerra que assolou Moçambique em mais de dez anos. A história passou-se com uma brigada do Alto Comissariado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1917&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_1918" class="wp-caption aligncenter" style="width: 319px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/ungulani-ba-ka-khossa_egmts.gif"><img class="size-full wp-image-1918" title="Ungulani Ba Ka Khossa_egmts" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/ungulani-ba-ka-khossa_egmts.gif?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Ungulani Ba Ka Khossa</p></div>
<p><span style="color:#ff0000;"><em><strong>Por Ungulani Ba ka Khosa</strong></em></span></p>
<p style="text-align:justify;">Permitam-me que conte um episódio que para muitos, ao tempo da história, terá parecido ridículo, inusitado, extemporâneo, pois aos olhos do tempo o momento era de reassentamento da população deslocada pela guerra que assolou Moçambique em mais de dez anos. A história passou-se com uma brigada do Alto Comissariado para os Refugiados, algures numa região do sul de Moçambique. A brigada, transportando centenas de camponeses, viu-se, durante mais de catorze horas, completamente desorientada ao não encontrar o lugar real de reassentamento, porque a população, não atinava com os marcos que identificavam o espaço, como seja a árvore, o cemitério, o bosque.</p>
<p style="text-align:justify;">O espaço de preservação da memória destas populações havia se eclipsado com a guerra. No lugar do bosque, da árvore ou do cemitério familiar, encontraram a natureza no seu estado selvagem, indomesticada. Para os funcionários do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, na maioria moçambicanos contratados, a história entrou no anedotário local. Para eles, a reivindicação do espaço identitário da população não tinha sentido em presença da terra e da distribuição de panelas, mantas e instrumentos de produção. O importante estava em garantir à população os bens materiais essenciais à retoma da vida. Não lhes importava os referentes perdidos, os esteios à perenidade da memória. Este desencontro, desconhecimento, distanciamento e, o mais angustiante, desprezo para com a realidade identitária de parte considerável do tecido social do país, patente nos funcionários, estendia-se, a diferentes amplitudes, a toda a classe administrativa do país e, mais grave ainda, ao poder político que se apressava a dar substância à separação e interdependência de poderes consagrados na nova constituição que proclamava os direitos, garantias e liberdades individuais.</p>
<p style="text-align:justify;">Apercebi-me, nesse momento de euforia, de encantamento com a paz, de deslumbramento com a conquista das liberdades individuais, que o nosso país se construía sobre os cacos de identidades esfaceladas, esquecidas, detestadas. E este assassínio, desculpem a impiedade do termo, teve a cumplicidade do poder político ao tempo da proclamação da independência.</p>
<p style="text-align:justify;">Com a proclamação da independência esperava-se que as identidades circunscritas ao universo étnico ganhassem, no espaço soberano da pátria, a liberdade e o direito de confrontarem-se com identidades afins.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>AS LÍNGUAS E A IDENTIDADE</strong></p>
<p style="text-align:justify;">O nosso país tem, segundo dados de recenseamento recente, cerca de vinte e três línguas de origem bantu que veiculam todo o universo cultural de etnias afins. Sabe-se que no período colonial, por mão de igrejas protestantes, houvera um esforço de fixação escrita das línguas, permitindo uma crescente alfabetização das populações, manifesta no fácil trato com a literatura religiosa amplamente traduzida nas línguas locais. Este esforço, embora centrado ao universo étnico, numa geografia precisa, teve o impacto de fazer chegar aos dias de hoje uma literatura que porventura se teria perdido com o tempo. Acresce-se a isto, embora reduzido a militância de poucos, o esforço de missionários católicos em recolher contos e provérbios, em elaborar dicionários e gramáticas das línguas veiculares das populações. Em consequência, era de se esperar que com o advento da independência estas iniciativas, ilhadas ao universo étnico, tivessem cidadania plena, gozando, por conseguinte, do direito de circulação e consequente confrontação com outras realidades culturais. Esperava-se que a secular presença islâmica e indiana, reduzida a nichos culturais bem delimitados, ganhasse outra amplitude no solo pátrio, de modo a que, por exemplo, as especiarias e outros aromas, enraizados ao longo da costa, se embrenhassem pelo sertão adentro e se incrustassem no adobe das palhotas da nossa existência. Esperava-se que a língua portuguesa, língua da unidade e do desenvolvimento, partilhasse o seu espaço hegemónico na educação, na informação, nos espaços públicos e privados, com outras línguas, tal como aconteceu nos princípios do século XX, quando na reduzida cidade de Lourenço Marques havia espaço para um jornal Bilingue, português/ronga, o Africano e, posteriormente, o Brado Africano, e um diário em língua inglesa, o Lourenço Marques Guardian. A língua portuguesa nunca saiu beliscada desse convívio multilingue. Com a independência esperava-se, enfim, que as várias identidades ganhassem cidadania e contribuíssem, na sua diversidade, para a construção do tecido identitário moçambicano. Mas tal não aconteceu.</p>
<p style="text-align:justify;">O governo da época, sob a batuta dos heróis da gesta nacionalista, transladou o princípio reinante nas zonas libertadas de matar a tribo para construir a nação. O terceiro congresso da Frelimo, acontecido dois anos depois da independência, 1977, veio legitimar a uniformização cultural e ideológica como condição única para a Unidade Nacional. Estavam criadas as condições para o esbatimento da memória local e de identidades que há muito procuravam cidadania para além do espaço étnico, graças a crescente urbanização do território.</p>
<p style="text-align:justify;">Pergunto-me hoje se é possível aquilatar as consequências do silenciamento oficial das memórias identitárias que buscaram a luz da perenidade com a independência do país? Nunca teremos a resposta adequada. Mas os sinais de que o monolitismo decretado era um erro de consequências imprevisíveis veio em forma de relatório do Comité Central da Frelimo, em 1983, em vésperas do IV Congresso, ao fazer constar que &#8220;É grande a nossa diversidade étnica e linguística. Foram diversas as formações sociais pré-coloniais, cada uma com as suas características próprias. A dominação colonial abateu-se sobre a totalidade do nosso país, mas afectou de formas diferentes as diversas regiões de Moçambique.</p>
<p style="text-align:justify;">(…) Hoje, liberto o país, devemos lutar contra a tendência simplista de recusar a diversidade como forma de realizar a unidade. Fazer isso é considerar, erradamente, que a diversidade é um elemento negativo da criação da unidade nacional; é pensar, erradamente, que a unidade nacional significa uniformidade.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o medo há muito que havia se instalado no país. As identidades que a custo sobreviveram a seculares tentativas de esmagamento, fecharam-se nos seus nichos de sobrevivência. A guerra que se disseminava pelo território fez uso destes erros infantis cometidos pelos guerrilheiros da gesta.</p>
<p style="text-align:justify;">Moçambique não se encontrou. Devo dizer, embora existam teorias em contrário, que o papel do Estado é fundamental na libertação de iniciativas que conduzam a cidadania plena. E os primeiros anos de independência foram fulcrais na definição da pauta da nossa sinfonia cultural. Esmagamos as notas da diversidade, silenciamos as vozes que vinham das furnas do tempo e, movidos por pretensões ideológicas de difícil sustentação, tentamos erigir um corpo, permitam-me o empréstimo, sem ADN, incaracterístico, insosso, descolorido, de voz monótona, desenraizada, totalmente à deriva. Perdemos, na euforia da libertação, a oportunidade de libertar a memória e de traçar, com inteira liberdade, o nosso destino cultural.</p>
<p style="text-align:justify;">José Luís Cabaço, político e académico moçambicano, na sua tese de doutoramento, Moçambique &#8211; Identidades/Colonialismo e libertação, não se aventurou ao período pós-independência, mas teve a clareza de afirmar que a identidade, sendo sempre em processo, em permanente dialéctica com o passado e com o Outro, não se conclui e nunca assume o perfil dos modelos prescritivos. (…) esses modelos tendem  a criar um novo tipo de conflitualidade social e psicológica entre a representação da identidade nacional unitária e a vida real do cidadão, problema que se agrava nas sociedades africanas pós-coloniais pela sobrevivência da estrutura tendencialmente dualista herdada da colonização…</p>
<p style="text-align:justify;">Até hoje, trinta e cinco anos depois da independência, ainda se discutem as várias formas de grafar as línguas locais. De um seminário a outro, as elites vão debulhando ideias que ficam em letra morta nos relatórios que ninguém lê. As universidades, melhor, a universidade pública Eduardo Mondlane, vai ensaiando cursos que legitimam educadores das línguas de base étnica. De tempos a tempos, ouve-se falar de uma experiência em ensino nas línguas locais. Pouco ou nada é publicitado. São iniciativas a saca-rolha. E, no meu entender, estão a margem da dinâmica da sociedade que se acultura acriticamente aos valores que a globalização vai, sem freios, difundindo pelos cantos mais remotos.</p>
<p style="text-align:justify;">As elites recusam-se, à luz do dia, a dar cidadania aos valores circunscritos às suas etnias. Outros grupos, sem identificação étnica, escusam-se a trazer à luz os valores que herdaram de gerações e gerações que se foram fixando no solo pátrio. Mas todos falamos de uma diversidade a que desconhecemos os contornos específicos.</p>
<p style="text-align:justify;">No campo que me diz respeito, literatura, tenho acompanhado algumas perversões a que os tempos modernos me dão a assistir. Volta e meia, leio aqui e ali, frases como segundo a nossa literatura oral, fazendo fé nas nossas tradições orais, socorrendo-me dos saberes transmitidos à volta da fogueira, e ecaetera. Pergunto-me: essa literatura oral está sendo transmitida por quem e em que espaços? Que valores se transmitem nessa literatura? Quando falamos da tradição de que tradição falamos?</p>
<p style="text-align:justify;">Creio que as elites culturais e políticas do meu país ainda não se encontraram quanto ao objecto ou referência dos seus espaços identitários. Sou da opinião de que só posso falar da tradição quando esta me é posta a ouvir, ler e consumir. Quando quero falar da minha tradição, do meu passado, tenho que me ater a valores que me estão próximos e dos quais me confronto diariamente, interpretando-os de diversos ângulos quando, a palavra é bonita, em alteridade. Mas esses valores não estão comigo. E se estão, actuam subliminarmente. O que me é dado a ver e consumir não passa de arremedos baratos e descartáveis de valores e memórias dum tecido cultural que se vai esboroando. Os nossos filhos, especificamente os da faixa urbana, geração imediata à independência, perderam por completo o contacto com as línguas maternas dos pais ou avós; as âncoras da identificação cultural circunscrevem-se, a título de exemplo, aos modismos culturais hoje em voga, como o lobolo praticado nos casamentos modernos, os ritos de iniciação na floresta do cimento, as oferendas aos espíritos em árvores tornadas sagradas nas inaugurações de edifícios públicos e outros empreendimentos de cariz económico e social, e pouco mais. Não há uma literatura difundida desses fenómenos.</p>
<p style="text-align:justify;">Nunca houve, nestes anos de secura cultural, um esforço concertado de, ao menos, propagar, por diversos meios, a literatura recolhida em tempos, ou a que, militantemente, foi acolhida por instituições culturais. Desde a alvorada da nossa independência que os currículos escolares não fazem constar provérbios e contos que espelhem o universo cultural moçambicano. Quando falamos de tradição, de memória, de que tradição e memória falamos?</p>
<p style="text-align:justify;">Diz-se, em provérbio Macua, língua falada na região norte de Moçambique, que A cobra trepa sem ter pernas – Enowa enniwela ehi mettó. Mais a sul, entre os Tsonga, diz-se: Pessoa calma (silenciosa) é cobra- Munhu wo rhula i nyoka. Há aqui duas formas distintas de assumir o símbolo cobra. Para os macuas, a cobra representa versatilidade, uma capacidade invulgar de realizar determinadas actividades. Nos tsonga, pelo contrário, a cobra simboliza periculosidade; ela é o símbolo da falta de transparência, da astúcia, dos jogos de bastidores. Estes exemplos demonstram a diversidade cultural existente no meu país que não se reflecte na escola, símbolo da cidadania. As pessoas falam da tradição, mas pouco ou nada dela sabem. E o tempo vai aniquilando esses valores a que as elites se recusam a dar cidadania plena.</p>
<p style="text-align:justify;">Várias explicações têm vindo à tona para este alheamento às realidades culturais locais. Em muitos há o medo de se perder o chão da moçambicanidade, pois temem que ao se falar da tradição, esteja-se a falar da pretização das instituições, da balcanização de um país que se pauta pelo princípio da universalidade e igualdade inscrita nos direitos, deveres e liberdades fundamentais, consagrados na constituição. Para este grupo, falar da tradição é um retrocesso, um nacionalismo redutor. Para outros, com desmedidos apetites políticos, a tradição, os valores de uma etnia, são um passaporte válido para a cidadania política, para uma carreira sem aferição de qualidade. E para muitos, a tradição não passa de um espaço arqueológico não catalogado. E todos, o que é triste, sejam grupos étnicos ou outros espaços identitários que secularmente se sedimentaram no país, não vêem a tradição como espaço de memória interpretando-se continuamente face a outras memórias em plena cidadania. E esta cidadania é conquistada hoje, na escrita, na televisão, na rádio, nas campanhas de saúde pública, nos intérpretes com direito igual aos de outras línguas soberanas que campeiam em salas repletas de auriculares, enfim, em todas os cantos e recantos.</p>
<p style="text-align:justify;">A cidadania que se quer às diversas identidades ou tradições, é a de abertura desses espaços a outros valores próximos e distantes. Tem-se dito, e eu perfilho, que é na troca dos paladares, dos valores culinários, que a diversidade cultural ganha o primeiro grande patamar de convívio são. Se a saudosa Natália Correia dizia que a poesia é para se comer, direi que as identidades devem ser degustadas até ao tutano, para que a diversidade cultural não seja de facto um tigre de papel neste mundo globalizado.</p>
<p style="text-align:justify;">E muito obrigado.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><em>*Comunicação apresentada, em Coimbra, no Colóquio Internacional “Portugal entre Desassossegos e Desafios”.</em></strong></p>
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		<title>George Lois e as suas capas para a Esquire</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 09:29:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gm54</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes Plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornais]]></category>
		<category><![CDATA[Esquire]]></category>
		<category><![CDATA[George Lois]]></category>

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		<description><![CDATA[Considerado um dos maiores publicitários do século 20, o nova-iorquino George Lois criou, entre 1962 e 1972, dezenas de capas icônicas para a revista masculina Esquire. As capas retratam alguns dos factos e mudanças mais importantes da década, como o feminismo, a guerra do Vietnam e as conquistas dos negros no país. Muitas delas são [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1902&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff6600;"><strong>Considerado um dos maiores publicitários do século 20, o nova-iorquino George Lois criou, entre 1962 e 1972, dezenas de capas icônicas para a revista masculina Esquire. As capas retratam alguns dos factos e mudanças mais importantes da década, como o feminismo, a guerra do Vietnam e as conquistas dos negros no país. Muitas delas são lembradas até hoje, como a que traz o pugilista Muhammad Ali como São Sebastião e a que mostra o artista Andy Warhol afundando numa das famosas latas de sopa Campbell. Durante todo o ano de 2008, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) exibiu uma retrospectiva do trabalho de Lois na Esquire. Abaixo, algumas das obras expostas, seguidas de comentários do artista sobre os bastidores.</strong></span></p>
<div id="attachment_1903" class="wp-caption aligncenter" style="width: 272px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/1.jpg"><img class="size-full wp-image-1903" title="1" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/1.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 01</p></div>
<p style="text-align:justify;"><strong>Img 1 </strong>- <strong>Chamando para a briga</strong> – <em>“Em 1962, aceitei o desafio de fazer uma capa para Esquire. Uma das matérias era sobre a decisão do título mundial dos pesos-pesados, entre o campeão Floyd Patterson e o desafiante Sonny Liston. Fiz uma peça surrealista sobre a derrota e Harold Krieger fotografou esta cena na St. Nichols Arena. Ninguém apostava em Liston, mas eu sabia que ele acabaria com Patterson. Após algumas semanas, Liston o destruiu no primeiro assalto! A imprensa comentou a nossa audácia de chamar uma briga na capa e a edição esgotou.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1904" class="wp-caption aligncenter" style="width: 272px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/2.jpg"><img class="size-full wp-image-1904" title="2" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/2.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 02</p></div>
<p></em></p>
<p><em> </em><strong>Img 2 </strong>- <strong>Os seios de Cleópatra</strong> – <em>“Em agosto de 1963 Esquire publicou uma matéria sobre o romance entre Richard Burton e Elizabeth Taylor que surgiu no set de filmagens de Cleópatra. Dias antes do deadline da capa, a minha esposa Rosie estava  num táxi quando viu um pôster gigante de Cleópatra a ser pintado no Teatro Rivoli. Saí a correr, aluguei um quarto no hotel do outro lado da rua e chamei o fotógrafo Carl Fisher. Os pintores já tinham acabado, saquei 20 dólares, e eles voltaram com o andaime até o local ideal da foto.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1905" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/3.jpg"><img class="size-full wp-image-1905" title="3" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/3.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 03</p></div>
<p></em></p>
<p><em> </em><strong>Img 3</strong> &#8211; <strong>O primeiro Papai Noel negro </strong>– <em>“Sonny Liston foi um campeão dos pesos-pesados que não ligava para a sua imagem, já havia sido preso por assalto à mão armada. Era início dos anos 60, época da Revolução Negra, a América estava a  mudar e eu queria Liston como Pai Natal negro na Esquire. O editor Harold Hayes gostou da capa, mas foi difícil: vários anunciantes fugiram e assinantes exigiram reembolso. Dezoito anos depois, a Time descreveu a capa como ‘uma das melhores representações sociais das artes plásticas desde a Guernica de Picasso’.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1906" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/4.jpg"><img class="size-full wp-image-1906" title="4" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/4.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 04</p></div>
<p></em></p>
<p><em> </em><strong>Img 4 </strong>- <strong>A capa que decolou</strong> – <em>“Para compensar a  minha recusa em criar uma típica capa &#8220;garota da capa&#8221; para a Esquire, fiz uma repleta de beleza. A reportagem tratava de viagens e, por isso, convidei 15 das principais companhias aéreas internacionais para me enviar as suas aeromoças mais bonitas. As 40 moças se divertiram, eu e o fotógrafo Timothy Galfas tivemos uma agradável experiência. As pessoas estavam a escolher as suas companhias aéreas pelas mulheres da capa, e esta tornou-se uma das mais vendidas da Esquire.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1907" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/5.jpg"><img class="size-full wp-image-1907" title="5" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/5.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 05</p></div>
<p></em></p>
<p><em> </em><strong>Img 5 </strong>- <strong>Uma capa atrevida sobre o movimento feminista</strong> – <em>“Em 1965, o movimento que mais crescia era o da liberação das mulheres dos seus papéis tradicionais na sociedade. Fazer uma capa da Esquire era o ideal para chamar a atenção sobre o assunto. Queria fazer uma brincadeira com uma estrela do cinema em atitude masculina, mas inicialmente fui rejeitado por todas as beldades de Hollywood – Kim Novak, Marilyn Monroe e Jayne Mansfield. Virna Lisi, uma actriz estreante nos EUA, reconheceu o humor da pose viril e fez a barba para a capa.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1908" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/6.jpg"><img class="size-full wp-image-1908" title="6" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/6.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 06</p></div>
<p></em></p>
<p><em> </em><strong>Img 6</strong> &#8211; <strong>Ed Sullivan e a peruca</strong> – <em>“Ed Sullivan apresentou a beatlemania à América no seu show de variedades. Queria colocá-lo na capa com uma peruca dos Beatles! Fui até o The Ed Sullivan Theater e acampei na entrada. Quando Sullivan saiu, fiz a  minha proposta cara a cara com ele, explicando rapidamente. Ele deu um longo olhar e sorriu de orelha a orelha. Foi o mesmo sorriso da capa em que ele usou a peruca com gosto e sorriu como Ringo.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1909" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/7.jpg"><img class="size-full wp-image-1909" title="7" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/7.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 07</p></div>
<p></em></p>
<p><em></em><strong>Img 7</strong> &#8211; <strong>A acusação ‘prematura’ da Guerra do Vietnam</strong> – <em>“As palavras são de um soldado americano no Vietnam, relatado por John Sack num longo artigo sobre uma companhia de infantaria. Ao ler o artigo esta frase me saltou aos olhos durante a descrição de uma missão de busca e destruição. Afrase mostra a reacção horrorizada de um soldado ao se deparar com o corpo de uma criança vietnamita morta. A capa mostrou ao mundo que algo estava errado. A Esquire foi duramente criticada por muitos leitores por esta acusação ‘prematura’ da guerra.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1910" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/8.jpg"><img class="size-full wp-image-1910" title="8" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/8.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 08</p></div>
<p></em></p>
<p><em></em><strong>Img 8</strong> &#8211; <strong>Outra maldita capa de mocinha</strong> – <em>“Desde a primeira capa que criei para o editor Harold Hayes, as vendas de Esquire cresceram radicalmente. Mas os anunciantes reclamavam das minhas capas controversas e as provocadoras assustaram algumas agências de publicidade. Nos anos 60, a publicidade estava confortável com mocinhas na capa e sabia que Hayes estava a planear uma matéria sobre a nova mulher americana. A inspiração para essa capa foi uma piada machista, racista e popular na época pré-feminista.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1911" class="wp-caption aligncenter" style="width: 272px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/9.jpg"><img class="size-full wp-image-1911" title="9" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/9.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 09</p></div>
<p></em></p>
<p><em></em><strong>Img 9</strong> &#8211; <strong>Muhammad Ali como mártir</strong> – <em>“Em 1967, Muhammad Ali, campeão mundial de boxe, recusou alistar-se no exército americano alegando motivos religiosos – antes, ele convertera-se ao Islão. Um júri federal condenou-o a cinco anos de prisão. Em 1968, enquanto esperava a decisão da Suprema Corte dos EUA, queria Ali na capa como São Sebastião – um romano que sobreviveu à execução por flechas após converter-se ao cristianismo – nos moldes do quadro de Francesco Botticini. A capa transformou-se num cartaz de protesto e, três anos depois, Ali foi absolvido por unanimidade.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1912" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/10.jpg"><img class="size-full wp-image-1912" title="10" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/10.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 10</p></div>
<p></em></p>
<p><em></em><strong>Img 10 &#8211; ‘Como ensinei Nixon a usar maquiagem e tornar-se presidente’ </strong>– <em>“Fiz esta capa na primavera de 1968, antes de Richard Nixon tornar-se presidente. Esta foto foi discutida em programas de TV na década de 60. Encontrei esta foto dele num banco de imagens e fotografei quatro mãos, inclusive a mão a segurar o batom. Pouco tempo depois, o editor Harold Hayes recebeu um telefonema do secretário de imprensa de Nixon, Ron Ziegler. Ele estava irritado – na verdade, furioso – por causa do batom. Ele disse que era um ataque contra a masculinidade de Nixon.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1913" class="wp-caption aligncenter" style="width: 273px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/11.jpg"><img class="size-full wp-image-1913" title="11" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/11.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 11</p></div>
<p></em></p>
<p><em></em><strong>Img 11</strong><em> &#8211; </em><strong>Andy Wahrol devorado pela fama</strong> – <em>“Esta capa tornou-se um símbolo da Esquire, da celebração da cultura pop e da desconstrução da celebridade. O movimento Pop Art nos EUA foi lançado em 1962 por Roy Lichtenstein, James Rosenquist, Tom Wesselmann, Robert Indiana e Andy Warhol.  Este último tornou-se o artista mais conhecido do movimento. A lata de sopa Campbell’s de Warhol era o símbolo de Pop Art. Para a capa resolvi mostrá-lo a afogar-se na sua própria sopa. Nós fotografamos a lata de sopa e o artista separadamente.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_1914" class="wp-caption aligncenter" style="width: 272px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/12.jpg"><img class="size-full wp-image-1914" title="12" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/04/12.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Img 12</p></div>
<p></em></p>
<p><em></em><strong>Img 12 </strong>- <strong>A capa matadora</strong> – <em>“Em novembro de 1970, enquanto William Calley aguardava o julgamento pelo seu envolvimento no massacre de cerca de 500 civis em My Lai, em 1968, a Esquire publicou um trecho de As Confissões do Tenente Calley. Eu queria mostrá-lo rodeado de crianças vietnamitas. Aqueles que pensavam que ele era inocente entenderiam e aqueles que achavam que ele era culpado também. Fotografamos no estúdio de Carl Fischer e a capa causou um furor na época.”</em></p>
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		<title>Hortêncio Langa: os 60 anos de um grande compositor que um dia foi tocador da Gaita-de-beços e de Xighoghogwani (*)</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 07:39:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gm54</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Hortêncio Langa]]></category>
		<category><![CDATA[Wazimbo]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguém disse, e nós citamo-lo: “Um artista é normalmente uma pessoa que procura acrescentar alguma coisa a tudo o que foi feito; é alguém que procura entender-se a si próprio e entender o mundo através da arte que faz.”. Estamos em crer que poucos recusarão a convicção que temos de que Hortêncio Langa se encaixa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1891&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/03/hortenciolanga_egalizamatos.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1892" title="Hortenciolanga_egalizamatos" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/03/hortenciolanga_egalizamatos.jpg?w=450" alt=""   /></a>Alguém disse, e nós citamo-lo:</p>
<p style="text-align:justify;">“<strong><em>Um artista é normalmente uma pessoa que procura acrescentar alguma coisa a tudo o que foi feito; é alguém que procura entender-se a si próprio e entender o mundo através da arte que faz</em></strong><em>.</em>”.</p>
<p style="text-align:justify;">Estamos em crer que poucos recusarão a convicção que temos de que <strong>Hortêncio Langa</strong> se encaixa que nem uma luva na afirmação que acabámos de citar. E pelas mais variadas razões, e todas elas a concorrerem, hoje, 23, para justificar a circunstância de o homem e artista celebrar os seus 60 anos de vida e 41 de carreira.</p>
<p style="text-align:justify;">Vinte e três de Março de 1951, Manjacaze, Gaza, nasce Hortêncio Ernesto Langa. Não o conhecemos pelas terras dos Khambanes, mas quem o acompanha desde os primórdios conta-nos que ele entra para as lides musicais pela via de uma tosca gaita-de-beiços que lhe foi oferecida aos 5 anos de idade. O instrumento cabia-lhe no bolso e assim podia transportá-lo para todo o lado e em todo o lado usá-lo para soprar as mais populares cantigas da época. <em>Xin’veka</em>, talvez!</p>
<p style="text-align:justify;">Aos 12 anos, já radicado no Chibuto, um pouco mais a Sul, Hortêncio funda, com Wazimbo e Miguel Matsinhe, seus amigos de infância, os <em>Rebeldes do Ritmo</em>, naquilo que foi a sua primeira experiência musical em grupo. Até aí, Hortêncio apenas soprava o realejo, ou eventualmente cantasse. Por essa altura, Hortêncio também se inicia na guitarra. Viola de lata, ou <em>xighoghogwani</em>, entenda-se. E inicia-se com quem? Com um outro amigo de infância, o José <em>Xidhakwa</em> Mukhavele, hoje, como o Hortêncio, um nome marcante no panorama musical de Moçambique.</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_1893" class="wp-caption aligncenter" style="width: 215px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/03/wazimbo_egmatos.jpg"><img class="size-full wp-image-1893" title="Wazimbo_egmatos" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/03/wazimbo_egmatos.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Foi com Wazimbo que Hortêncio Langa dá os primeiros passos na carreira</p></div>
<p>A necessidade de continuar os estudos, uma vez concluída a quarta-classe, leva-o à terminal do <em>Xitonhana</em>,<em> </em>as <em>Oliveiras</em>, onde apanha o machimbombo que o conduz à então Lourenço Marques.</p>
<p style="text-align:justify;">Seria em Lourenço Marques, já na segunda metade da década de 60, que haveríamos de conhecer o Hortêncio, mais conhecido por <em>Tom Tan Kamik</em> entre a rapaziada de <em>Mimangueni</em>,<em> </em>no Chamanculo. E diga-se de passagem que foi aliás no Chamanculo que travámos conhecimento com a larga maioria dos nomes que iriam corporizar uma importante fornada de artistas-referência da actual música ligeira moçambicana.</p>
<p style="text-align:justify;">Por aquelas alturas, e agora para avivarmos a memória do Hortêncio e de outros, a maior parte dos potenciais artistas da música ligeira emergente em Moçambique frequentava dois espaços no bairro do Chamanculo: as varandas do <em>Telinho</em> e do Queiroz. O Hortêncio, mais na varanda do primeiro do que na do segundo. Ainda com Wazimbo e Miguel, este infelizmente já falecido, Hortêncio participa na reedição do trio de Chibuto, mudando-lhe porém a designação para <em>The Geyser</em> (lê-se <em>gaiza</em>).</p>
<p style="text-align:justify;">Sobre as denominações dos trios de Chibuto e de Lourenço Marques, não deixamos de manifestar alguma curiosidade. Se nos parece fácil relacionar a juventude com a rebeldia, isto por causa da denominação <em>Os Rebeldes</em>, ainda para mais para uma banda de rapazes vindos do Chibuto, já mais difícil será relacioná-la com um cilindro eléctrico para aquecer água. Mas deixemos isso para uma outra ocasião, mormente para daqui a 10 anos quando, com propriedade e legitimidade maiores, o Hortêncio poder dizer: <strong><em>Ni Tsendzelekile</em></strong>, andei por todo o lado!</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, as tendências musicais de então induzem uma mudança estrutural dos <em>The Geyser</em>. Entendem os seus mentores que o trio deveria evoluir para uma estrutura de supergrupo. Integram o Jaime Machatine, mais conhecido por <em>Jaimito</em>, que ingressa na banda como baterista. E se calhar ninguém imaginava que ali se escondesse um virtuoso viola-solo que se viria a revelar anos depois. Um <em>Jaimito</em> que nos dilacera as consciências vendo-o sem rumo nas imediações do Jardim Tunduru, defronte da nossa estação emissora, e deixando-nos mensagens pungentes que só o tempo, se alguém as conservar, ou anotar, as descodificará.</p>
<p style="text-align:justify;">Dissemos atrás que Hortêncio e os seus <em>The Geyser </em>decidiram evoluir para aquilo a que na época se chamou de supergrupo. E o que é isso de supergrupo? Uma resposta a esta pergunta passará, necessariamente, por termos presente que a transformação dos <em>The Geyser </em>em supergrupo acontece em 1970, não sendo também por isso inocente tal circunstância. Foram sem dúvida os Ecos do Festival de Woodstock, um evento que deixou marcas em todo o mundo. E só isso explica o passo dado pelos <em>The Geyser</em>? Pode explicar, sim, mas exigindo melhor enquadramento.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 2010, quando assinalávamos neste espaço os 60 anos de vida de José Mukhavele, Hortêncio Langa revelou que o documentário sobre Woodstock provocou uma autêntica onda de choque nos músicos da capital, que lotavam a sala do <em>Scala</em>, em <em>sessão da meia-noite</em> em dia de estreia. Disse-nos Hortêncio:</p>
<p style="text-align:justify;">“<strong><em>O Scala estava cheio de músicos. Depois da sessão, ficámos a conversar em grupos, até às 4 da madrugada, sobre aquilo que havíamos acabado de assistir. Ninguém saiu indiferente, fomos para as nossas casas com a certeza de que algo mudaria nas nossas carreiras</em></strong>.”</p>
<p style="text-align:justify;">Momento marcante do Festival de Woodstock, isto no segundo dos três dias do evento, foi quando o trio formado por David Crosby, Stephen (lê-se stifen) Stills e Graham Nash evoluiu para quarteto, integrando <strong>Neil</strong> <strong>Young</strong>. Isso foi anunciado em público e em público Neil Young assumiu o seu lugar no palco ao lado dos novos companheiros. Foi um autêntico delírio! Disse-se também na altura que isso significou a passagem de trio para uma estrutura de supergrupo. Fica assim claro, portanto, que supergrupo não significa, necessariamente, um elevado número de componentes. Para isso estava o termo <em>big band</em>, mais dado a grupos de Jazz. Era supergrupo porque o quarteto integrava elementos com nome feito, embora, posteriormente, tivessem visto a sua cotação subir após aquele acto público.</p>
<p style="text-align:justify;">Portanto, o conceito de supergrupo nasceu no final dos anos 60 do século passado, e era normalmente usado para designar uma banda emergente formada por nomes famosos a solo, ou provindo de bandas famosas. A curta duração foi quase uma característica comum dos supergrupos, normalmente formados para a produção de um, no máximo dois álbuns, e invariavelmente de elevadíssima qualidade. Além dos Crosby, Stills, Nash and Young de que falámos, outros supergrupos perfilam na História da música ligeira internacional. Citamos apenas os mais conhecidos entre nós: <strong>Emerson</strong>, <strong>Like</strong> <strong>and</strong> <strong>Palmer</strong>, <strong>Beatles</strong>, <strong>Pink</strong> <strong>Floyd</strong>, <strong>Queen</strong>, <strong>Genesis</strong>, <strong>Yes</strong>. E, já agora, os <strong>The</strong><em> </em><strong>Geyser</strong>!</p>
<p style="text-align:justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_1894" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2011/03/hortenciolanga_edmundogalizamatos_luisloforte.jpg"><img class="size-full wp-image-1894" title="Hortenciolanga_edmundogalizamatos_luisloforte" src="http://gm54.files.wordpress.com/2011/03/hortenciolanga_edmundogalizamatos_luisloforte.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Hortêncio e os produtores do Programa Clube dos Entas: Edmundo Galiza Matos e Luís Loforte</p></div>
<p>Polémica à parte, foram os <strong>Cream </strong>que vieram a ser considerados o primeiro supergrupo da História, o qual teve na sua composição nomes como os de <strong>Eric</strong> <strong>Clapton</strong>, <strong>Steve</strong> <strong>Winwood</strong>, <strong>Jeff</strong> <strong>Back</strong>, <strong>Ginger</strong> <strong>Baker </strong>(lê-se beika) e <strong>Jimmy</strong> <strong>Page</strong>. Todos eles famosos, ou antes ou a posteriori. Um dia voltaremos a esta matéria com mais propriedade e num programa específico. E tudo porque hoje falamos de Hortêncio Langa. E para continuarmos a saga e dizer que para nós, quaisquer que tenham sido as linhas com que se vieram a coser os <em>The Geyser</em> na sua conversão para supergrupo, a verdade é que Hortêncio Langa se inspirou também nos <strong>Crosby, Stills, Nash</strong> <strong>and Young</strong>, com a honra de ter injectado elementos musicais da sua terra naquele tipo de música, feito de guitarra acústica e combinação de vozes fora do comum.<em> </em>E para isso secundado por nomes como os de João Cabaço e Arão Litsuri, como veremos lá mais para o fim.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, e ao mesmo tempo que trabalha nos <em>The Geyser, </em>Hortêncio Langa inscreve-se na tuna universitária de Lourenço Marques, mais concretamente na tuna da Associação Académica de Lourenço Marques, onde toca viola e bandolim. Não só por esta incursão pelos meios académicos do cimento, mas sobretudo pela influência determinante do que vira de Woodstock, Hortêncio Langa foi, e continua a ser, para nós, um músico de pouca instrumentação, de duetos e de trios, mais dado ao acústico, do que, propriamente, a grandes bandas. Pode ser que nos enganemos, mas esta é a nossa convicção, convicção fundada no que lhe temos escutado ao longo dos anos. Tire o ouvinte as suas conclusões escutando as bonitas vozes de Hortêncio Langa e Arão Litsuri, um tudo ou nada à imagem do que lhe apontámos de Woodstock.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de um hiato mais ou menos considerável, voltamos a cruzar-nos com Hortêncio Langa em Nampula, no ano de 1973, andava ele de verde-azeitona vestido e ao serviço do exército português. Expressão do seu eclectismo musical, ele faz parte de dois projectos musicais, o <em>Grupo </em>2<em> </em>e<em> Alta Dimensão</em>, e às vezes tocando com o lendário saxofonista moçambicano <em>Chico </em>da Conceição, como daquela vez que o vimos tocar num baile em Namialo. O Grupo 2 que integrava Eduardo Samalam, a viola-ritmo, Issufo Mussagy, na bateria, Samuel Chambe, na viola-baixo, <em>Papaia</em>, a vocalista, e Luís Betencourt nos teclados. E, já agora, António Marques (sim, o nosso homem das corridas de carros), no papel de apresentador. O grupo <em>Alta Dimensão</em> era mais curto, mais apropriado às características de Hortêncio Langa: João Paulo, que alternava actuações com <em>Os Monstros</em>, Mário Viegas, ao piano, José Rodrigues, a viola-baixo, e Necas na bateria.</p>
<p style="text-align:justify;">De regresso a Lourenço marques, concluído o serviço militar, Hortêncio Langa cria, em 1974, com Jaimito, Zeca Tcheco, Billy Cuca, Milagre Langa (seu irmão) e Pedro Khumaio, a banda de <em>afro-rock</em> Monomotapa. Quem acompanhou com atenção a obra dos Monomotapa sabe que eles terão sido os principais precursores de uma nova inflexão que se imprimiu à <em>marrabenta</em> e <em>magikha</em>, uma acção que aconteceu entre 1974 e 1977. E se dúvidas houver&#8230; está aí o instrumental <strong><em>Magikha experimental</em></strong>!</p>
<p style="text-align:justify;">E agora uma pausa ao discurso cronológico para dois momentos importantes: o primeiro, para desfazermos equívocos, e o segundo para um momento histórico e honroso para o <em>Clube dos Entas</em>. Comecemos com uma pergunta: quem é o autor do tema <strong><em>Xibomba xa ROMOS</em></strong>?</p>
<p style="text-align:justify;">Nos anos 80, tivemos a honra de fazer parte de uma expedição cultural da Rádio Moçambique que se deslocou à cidade de Inhambane. O Grupo RM estendeu o seu elenco integrando nomes como os de Fany Mpfumu, Astra Harris, Billy Cuca, Hortêncio Langa, entre outros. O autocarro com que nos fazíamos transportar fora alugado à ROMOS, Rodoviária Moçambique – Sul. Teve muitas avarias e muitas foram as horas que consumimos até chegarmos à <em>Terra da Boa Gente</em>. O consolo para os <em>massacrados</em> expedicionários era o facto de a comitiva integrar músicos que, enquanto o autocarro era reiteradamente consertado, dedilhavam as suas guitarras ou cantavam alguns versos das suas canções. Até que, provavelmente em Zavala, com o cansaço no auge, e quando todos dormíamos, do fundo do machimbombo nos começou a chegar o som de uma guitarra tocada com paixão.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos nos quedámos no silêncio e embalados por aqueles langores de guitarra acústica provindos de mãos hábeis, embora desconhecidas para a maioria de nós. Hortêncio Langa sabia quem estava a dedilhar a guitarra. Sabia que era o Zé, que só podia ser o Zé Mukhavele. Improvisou a lírica, e toda ela adaptada às circunstâncias de uma viagem atribulada, embora com os seus encantos. A banana e a laranja na Manhiça, o arroz e a batata-doce em Xai-Xai, o ananás e a mandioca em Chissico, e, finalmente, o alvo do destino, o coco e a sura. É isso: “deixem de chorar que o machimbombo da ROMOS vos levará ao destino, ao destino do coco e da sura…”:</p>
<p style="text-align:justify;">Primeiros intérpretes: uma delegação cultural de mais de 50 pessoas, entre músicos e desportistas e sob a bandeira da Rádio Moçambique.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois de um grande projecto que foi a banda Monomotapa, e isto para retomar o fio à meada, Hortêncio Langa teve uma curta carreira a solo, para depois formar um duo com Arão Litsuri, com o qual, aliás, iria conhecer o seu baptismo internacional, em 1979, quando se desloca a Cuba, Jamaica e Guiana, pouco depois da visita de Samora Machel àqueles países. Com a integração de João Cabaço, sem dúvida uma das melhores vozes de Moçambique, o duo passou a trio, para nós o projecto mais bem conseguido de Hortêncio Langa. Nesse mesmo ano, o trio é convidado a participar do Festival de Neubrandenburg (lê-se <em>noibrandenburg</em>), na então República Democrática Alemã. Da participação resultou um álbum de grande valor histórico e cultural para o nosso país, aqui recordado pelo <em>Clube dos Entas </em>nos seus temas mais significativos. Mas antes, uma sugestão: não só pelo seu valor musical, mas também pelo simbolismo que ele representa, este álbum deveria merecer um tratamento especial por parte do Ministério da Cultura, nomeadamente reeditando-o em suporte digital.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>(*) – Viola feita de Lata de Azeite de 5 Lts</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Texto da autoria de Luís Loforte para o Programa Clube dos Entas da Rádio Moçambique transmitido dia 24/03/2011<br />
</strong></p>
<br />Filed under: <a href='http://gm54.wordpress.com/category/uncategorized/'>Uncategorized</a> Tagged: <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/hortencio-langa/'>Hortêncio Langa</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/wazimbo/'>Wazimbo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gm54.wordpress.com/1891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gm54.wordpress.com/1891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gm54.wordpress.com/1891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gm54.wordpress.com/1891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gm54.wordpress.com/1891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gm54.wordpress.com/1891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gm54.wordpress.com/1891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gm54.wordpress.com/1891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gm54.wordpress.com/1891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gm54.wordpress.com/1891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gm54.wordpress.com/1891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gm54.wordpress.com/1891/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gm54.wordpress.com/1891/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gm54.wordpress.com/1891/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1891&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Distúrbios em Maputo: protestos contra agravamento dos preços dos produtos básicos, pão, água e energia</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 13:14:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Três mortos no Bairro do Benfica e várias dezenas de feridos que deram entrada no Hospital Geral José Macamo é o saldo preliminar dos distúrbios populares que estão a caracterizar as cidades de Maputo e Matola, em Moçambique, em protesto contra o agravamento dos preços de energia, água, pão e outros bens de consumo. LEIA [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1887&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_1888" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2010/09/dsc00974.jpg"><img class="size-full wp-image-1888" title="Barricadas na Estrada Maputo-Witbank" src="http://gm54.files.wordpress.com/2010/09/dsc00974.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a><p class="wp-caption-text">Menor coloca um pneu na barricada a arder, de bloqueio na Estrada Maputo-Witbank, que liga a África do Sul</p></div>
<p><span style="color:#ff0000;"><strong>Três mortos no Bairro do Benfica e várias dezenas de feridos que deram entrada no Hospital Geral José Macamo é o saldo preliminar dos distúrbios populares que estão a caracterizar as cidades de Maputo e Matola, em Moçambique, em protesto contra o agravamento dos preços de energia, água, pão e outros bens de consumo.<br />
</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.radiomocambique.com/rm/noticias/anmviewer.asp?a=4924&amp;z=100"><span style="color:#ff0000;"><strong>LEIA MAIS AQUI</strong></span></a></p>
<br />Filed under: <a href='http://gm54.wordpress.com/category/economia/'>Economia</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/category/politica/'>Política</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/category/sociedade/'>Sociedade</a> Tagged: <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/custo-de-vida/'>Custo de Vida</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/disturbios/'>Distúrbios</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/economia-de-mocambique/'>Economia de Moçambique</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/matola/'>Matola</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/mocambique/'>Moçambique</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gm54.wordpress.com/1887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gm54.wordpress.com/1887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gm54.wordpress.com/1887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gm54.wordpress.com/1887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gm54.wordpress.com/1887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gm54.wordpress.com/1887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gm54.wordpress.com/1887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gm54.wordpress.com/1887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gm54.wordpress.com/1887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gm54.wordpress.com/1887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gm54.wordpress.com/1887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gm54.wordpress.com/1887/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gm54.wordpress.com/1887/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gm54.wordpress.com/1887/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1887&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Barricadas na Estrada Maputo-Witbank</media:title>
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		<title>Morreu baixista dos Kinks</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 03:47:10 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Word Music]]></category>
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		<description><![CDATA[O músico britânico Peter Quaife, fundador do grupo Kinks, um dos mais populares da década de 1960, morreu quinta-feira em Londres, anuncia a BBC. A causa da morte não foi ainda tornada pública, mas, segundo a BBC, Quaife sofria de problemas renais e fazia hemodiálise há dez anos. Quaife foi um dos fundadores dos Kinks, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1882&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2010/07/kinks.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1883" title="Kinks" src="http://gm54.files.wordpress.com/2010/07/kinks.jpg?w=450" alt=""   /></a>O músico britânico Peter Quaife, fundador do grupo Kinks, um dos mais populares da década de 1960, morreu quinta-feira em Londres, anuncia a BBC.</p>
<p style="text-align:justify;">A causa da morte não foi ainda tornada pública, mas, segundo a BBC, Quaife sofria de problemas renais e fazia hemodiálise há dez anos.</p>
<p style="text-align:justify;">Quaife foi um dos fundadores dos Kinks, grupo britânico pioneiro do hard rock liderado pelo vocalista e guitarrista Ray Davies. Quaife tocou em êxitos do grupo como &#8216;You Really Got Me&#8217;, &#8216;All Day and all of the Night&#8217; e &#8216;Everybody’s Gonna Be Happy&#8217;, entre outros.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 1966 Peter Quaife sofreu um acidente de carro em que partiu uma perna. Em cosequência, o músico foi substituído por John Dalton por alguns meses. De volta à banda, Quaife participou de alguns dos discos mais importantes dos Kinks, casos de &#8216;Something Else&#8217; e “Village Green Preservation Society&#8217;, que Quaife considerava o ponto mais alto da sua carreira.</p>
<p style="text-align:justify;">Cansado dos conflitos entre os irmãos Dave e Ray, o músico saíu dos Kinks em 1969 e tentou ainda formar outra banda, os Maple Oak. No entanto, o grupo fracassou e Quaife passou a dedicar-se a trabalhos gráficos e ilustrações, passando a viver no Canadá e Dinamarca.</p>
<br />Filed under: <a href='http://gm54.wordpress.com/category/pop-rock/'>Pop Rock</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/category/word-music/'>Word Music</a> Tagged: <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/kinks/'>Kinks</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/peter-quaife/'>Peter Quaife</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gm54.wordpress.com/1882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gm54.wordpress.com/1882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gm54.wordpress.com/1882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gm54.wordpress.com/1882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gm54.wordpress.com/1882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gm54.wordpress.com/1882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gm54.wordpress.com/1882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gm54.wordpress.com/1882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gm54.wordpress.com/1882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gm54.wordpress.com/1882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gm54.wordpress.com/1882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gm54.wordpress.com/1882/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gm54.wordpress.com/1882/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gm54.wordpress.com/1882/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1882&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Leonard Cohen anuncia novo disco</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 03:41:05 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Leonard Cohen]]></category>

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		<description><![CDATA[O cantor canadiano Leonard Cohen anunciou que vai lançar um novo disco, o primeiro em seis anos. Ainda sem título, o álbum chega às lojas no próximo ano. De acordo com o jornal britânico &#8216;The Guardian&#8217;, o novo disco terá 10 ou 11 canções, que foram compostas antes da digressão mundial de Cohen em 2008 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1877&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2010/07/lcohen.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1878" title="Lcohen" src="http://gm54.files.wordpress.com/2010/07/lcohen.jpg?w=450" alt=""   /></a>O cantor canadiano Leonard Cohen anunciou que vai lançar um novo disco, o primeiro em seis anos. Ainda sem título, o álbum chega às lojas no próximo ano.</p>
<p style="text-align:justify;">De acordo com o jornal britânico &#8216;The Guardian&#8217;, o novo disco terá 10 ou 11 canções, que foram compostas antes da digressão mundial de Cohen em 2008 e 2009.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Na verdade, uma delas foi escrita durante a digressão. Todas as outras foram escritas antes&#8221;, explicou Cohen durante a sua introdução no &#8216;Songwriters Hall of Fame em Nova Iorque, na última quinta-feira.</p>
<p style="text-align:justify;">O novo álbum será produzido pelo próprio Cohen, que contará com as colaborações da cantora de jazz Anjani Thomas e de Sharon Robinson, com quem partilha a autoria de várias canções desde a década de 80.</p>
<br />Filed under: <a href='http://gm54.wordpress.com/category/pop-rock/'>Pop Rock</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/category/word-music/'>Word Music</a> Tagged: <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/leonard-cohen/'>Leonard Cohen</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gm54.wordpress.com/1877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gm54.wordpress.com/1877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gm54.wordpress.com/1877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gm54.wordpress.com/1877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gm54.wordpress.com/1877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gm54.wordpress.com/1877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gm54.wordpress.com/1877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gm54.wordpress.com/1877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gm54.wordpress.com/1877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gm54.wordpress.com/1877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gm54.wordpress.com/1877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gm54.wordpress.com/1877/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gm54.wordpress.com/1877/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gm54.wordpress.com/1877/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1877&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mia Couto: seria desastre nacional se alguma vez Afonso Dlakhama chegasse ao poder em Moçambique</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 22:36:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O escritor Mia Couto analisa o recente processo eleitoral em Moçambique e os caminhos trilhados pela jovem nação africana até a conquista de um Estado democrático pleno O escritor e biólogo moçambicano Mia Couto vê com cepticismo as possibilidades de o actual processo eleitoral no seu país induzir o renascimento das utopias que animaram o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1870&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_1871" class="wp-caption aligncenter" style="width: 225px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/miacouto-e-malagantana.jpg"><img class="size-full wp-image-1871" title="Miacouto e Malagantana" src="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/miacouto-e-malagantana.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Malangatana e Mia Couto</p></div>
<p style="text-align:justify;"><strong>O escritor Mia Couto analisa o recente processo eleitoral em Moçambique e os caminhos trilhados pela jovem nação africana até a conquista de um Estado democrático pleno</strong></p>
<p style="text-align:justify;">O escritor e biólogo moçambicano Mia Couto vê com cepticismo as possibilidades de o actual processo eleitoral no seu país induzir o renascimento das utopias que animaram o processo revolucionário moçambicano na década de 1970 e a consolidação de um projecto de nação que ele ajudou a construir. No entanto, não deixa de ressaltar o papel fundamental da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) – actual partido governista e elementar no processo de redemocratização como grupo revolucionário – na estabilidade do país e na continuidade do processo de construção nacional.</p>
<p style="text-align:justify;"><a title="Mia Couto: seria desastre nacional se alguma vez Afonso Dlakhama chegasse ao poder em Moçambique" href="http://www.rm.co.mz" target="_self"><span style="color:#ff0000;">LEIA MAIS AQUI: www.rm.co.mz</span></a></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Como o senhor definiria o perfil social e político da oposição?</strong></p>
<p>Seria um desastre nacional se alguma vez Afonso Dlakhama, da Renamo, chegasse ao poder. Já Deviz Simango, jovem engenheiro que saiu em ruptura com a Renamo e que ainda é prefeito da cidade da Beira (a segunda cidade de Moçambique) fez um bom trabalho em prol da cidade. Mas é preciso dizer que a oposição é algo que está em processo de criação. E é urgente que se crie uma oposição capaz, uma oposição construtora de alternativas e que abra caminhos e ideias novas.</p>
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			<media:title type="html">Miacouto e Malagantana</media:title>
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		<title>Rui Quadros, caçador guia e campeão de tiro: Tombou um Kambako</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 22:28:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gm54</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Marcelino Gonçalves*</p>
<p><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/ruiquadros.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1867" title="Ruiquadros" src="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/ruiquadros.jpg?w=450" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Nascido na histórica Ilha de Moçambique, em 1937, RUI QUADROS, é o primogénito de uma prole de nove irmãos, filhos de um casal cujo patriarca – Afonso Quadros – era funcionário do quadro da administração civil da colónia e que se tornou muito conhecido no território precisamente por ser chefe de uma tão grande família, coisa rara entre os brancos. Outra faceta que notabilizou o pai Quadros era a sua grande paixão pela caça, que praticava nas áreas da sua jurisdição administrativa, quando chefe de Posto, a propósito de resolver problemas de alimentação do pessoal sob a sua responsabilidade empregue nas diversas actividades (administrativo, obras, presos, abertura e limpeza de picadas, etc,) ou mesmo para eliminar animais daninhos que invadiam os povoados e suas culturas.</em></p>
<p style="text-align:justify;">As constantes transferências a que estavam sujeitos os funcionários daquele quadro administrativo levaram Afonso Quadros e a sua família a viverem praticamente em todos os distritos da colónia de Moçambique e em locais dos mais isolados e inóspitos do interior. Dizia-se, não sei se com fundo de verdade, que o pai Quadros pedia para ocupar os Postos Administrativos mais isolados e afastados que normalmente eram recusados pelos seus colegas, precisamente porque se localizavam nas regiões onde existia maior densidade de animais selvagens. Estiveram na rota de trabalho deste funcionário localidades do interior com tais características, como Lunga, Itoculo, Matibane, Lalaua, Muite, Mutuali, Malema, Ligonha, Macuzi, Inhassunge, Gilé, Funhalouro e Saúte.</p>
<p style="text-align:justify;">Naturalmente que os filhos, desde pequenos, criaram também a mesma paixão do seu progenitor, sabido que é que a caça é uma atracção muito forte para os jovens que têm o privilégio de viver em contacto com o mato e os animais bravios. O Rui, sendo o mais velho, desde tenra idade que acompanhava o pai nas incursões pelo mato e desde os seis anos que começou a lidar com espingardas. Começou pelas de pressão de ar e depressa passou às de bala de calibre ponto vinte e dois e depois às de calibres maiores. Iniciou-se no abate de aves e roedores e aos oito anos já matava pequenos antílopes. Aos nove anos abateu o seu primeiro búfalo e aos doze o primeiro elefante, tudo sob a batuta do seu pai e por vezes dos próprios cipaios do Posto.</p>
<p style="text-align:justify;">Conheci o pai Quadros em meados da década de cinquenta durante as deambulações que também fiz como funcionário do mesmo quadro. Curiosamente, ele chefiou um Posto que bem conheci: o de Saúte, localizado na circunscrição do Alto Limpopo, província de Gaza, entre o rio Save e o rio Limpopo. Uma região de clima muito seco e com pouca população humana mas povoada de muitos milhares de animais bravios. Foi considerada, até à década de oitenta, a melhor área de caça de Moçambique e aquela que albergava mais variedades de espécies, algumas delas raras, como a girafa, a avestruz, a mezanze, a palapala cinzenta, a chita, a lebre saltadora, a raposa orelhuda e o lince. Outras espécies comuns, como elefantes, búfalos, elandes, zebras, gnús, palapalas, gondongas, cudos, leões, leopardos, chacais, hienas, inhalas, inhacosos, hipopótamos, impalas, changos, crocodilos, facoceros e cinco espécies de cabritos, eram muito abundantes. A célebre planície de Banhine era o epicentro desta região tão fértil em fauna selvagem e ficava a dois passos da povoação de Saúte. Um autêntico paraíso para a prática da caça, com destaque  para a chamada caça grossa, que ali foi praticada em regime livre até à década de sessenta. Viria, depois, a ser ali criada a coutada oficial n. 17 que mais tarde, em 1973, foi extinta devido à criação do Parque Nacional do Banhine.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="text-decoration:underline;">Caçador-guia e desportista</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="text-decoration:underline;"> </span></strong></p>
<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_1866" class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/ruiquadros-mazelas-da-caca.jpg"><img class="size-full wp-image-1866" title="Ruiquadros - mazelas da caca" src="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/ruiquadros-mazelas-da-caca.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Rui quadros mostra a um amigo algumas das mazelas da caça</p></div>
<p style="text-align:justify;">Foi nesta e noutras regiões idênticas que Rui Quadros passou a maior parte da sua juventude e adquiriu uma larga experiência como caçador, tornando-se também um apaixonado pela vida animal. Só depois da instrução primária, que lhe foi ministrada pela mãe, se afastou para continuar os estudos (concluiu aos 17 anos os estudos secundários na África do Sul), mas durante as férias voltava sempre ao seio familiar e todo o seu tempo disponível era ocupado nas caçadas, que praticava à sombra das facilidades concedidas pelo próprio pai na qualidade de representante máximo da autoridade na respectiva área.</p>
<p style="text-align:justify;">Gorados os seus sonhos de tornar um biólogo virado para o ramo da fauna selvagem, por dificuldades financeiras dos pais para o manterem a estudar na África do Sul, procurou em Lourenço Marques uma actividade que o mantivesse em contacto com os animais bravios e assim começou por estagiar no Museu Álvaro de Castro (actual Museu de História Natural) onde aprendeu a embalsamar pequenas espécies, nomeadamente aves. Rapidamente se interessou pela ornitologia e ao serviço do Instituto de Investigação Científica de Moçambique dedicou-se à captura de pássaros. Percorreu todo o território em busca de espécies raras não catalogadas, obtendo mais de uma centena de espécies novas para a vasta colecção do Museu. Durante uma dessas campanhas, de mais de seis meses, na região do Lago Niassa, desenvolveu ali o gosto pela caça submarina, uma actividade que, para além de emotiva, lhe dava substancias proveitos, pois vendia o pescado capturado, que normalmente atingia algumas dezenas de quilos por dia.</p>
<p style="text-align:justify;">Entretanto, a cidade capital também o cativou. Gostava de belas mulheres e de belos carros. O Ford Mustang descapotável era uma das suas imagens de marca. Mas o irmão acha que o Rui se dava da mesma maneira no conforto de um hotel de cinco estrelas ou na esteira de uma palhota, no meio do mato.</p>
<p style="text-align:justify;">Na capital, à altura Lourenço Marques, dedicava o tempo disponível à prática do tiro de stand e ao atletismo. Em ambas as actividades depresessa se notabilizou, logo a partir da categoria de júnior. No atletismo foi campeão de 400 e 800 metros. No tiro atingiu o patamar cimeiro em todas as provas, tornando-se campeão de Moçambique tanto na prancha como nos pombos, título que renovou sucessivamente, torneio após torneio, vencendo também inúmeras provas internacionais em que participou. Centenas de taças, medalhas e outros troféus foram-se acomulando na sua casa ao longo dos anos, primeiro em vitrines organizadas e depois a monte sobre os móveis da sala.</p>
<p style="text-align:justify;">De entre os melhores atiradores da época só o seu colega e amigo Amadeu Peixe o equiparou em títulos. Morreu no último domingo (14 de junho), depois de uma sopa de feijão manteiga no seu inseparável Piri-piri.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ff0000;">* adaptação editorial do Savana (edição de 18/06/2010)</span></p>
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		<title>Sexto Festival Nacional de Cultura em Chimoio: a celebração e exaltação da cultura moçambicana</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 15:13:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gm54</dc:creator>
				<category><![CDATA[Moçambique]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[(Imagem (EGMatos) captada sábado, 5,na vila da Namaacha, na fase de apuramento dos representantes da província de Maputo) Chimoio, Julho/agosto de 2010. Será exactamente na capital da província central de Manica, de 27 de julho a 1 de agosto, que os fazedores das artes e cultura, uma vez mais, terão a oportunidade de celebrar e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1860&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">
<div id="attachment_1861" class="wp-caption aligncenter" style="width: 356px"><a href="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/gm1.jpg"><img class="size-full wp-image-1861" title="Gm1" src="http://gm54.files.wordpress.com/2010/06/gm1.jpg?w=450" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Bebé brincando com batuque, enquanto a mãe dançarina aguarda a entrada em cena</p></div>
<p><em><span style="color:#ff0000;">(Imagem (EGMatos) captada sábado, 5,na vila da Namaacha, na fase de apuramento dos representantes da província de Maputo)</span></em></p>
<p>Chimoio, Julho/agosto de 2010. Será exactamente na capital da província central de Manica, de 27 de julho a 1 de agosto, que os fazedores das artes e cultura, uma vez mais, terão a oportunidade de celebrar e exaltar as ricas, diversificadas e milenares tradições culturais moçambicanas. É o VI Festival Nacional da Cultura, evento nacional que ocorre no Ano Internacional de Aproximação de Culturas, facto proclamado pela 62ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em reconhecimento do poder da cultura como factor de compreensão mútua, de paz e sobretudo de desenvolvimento sustentável.</p>
<p>O VI Festival Nacional de Cultura pretende-se que seja o momento mais alto de celebração e exaltação da cultura moçambicana, no objectivo de preservar, desenvolver as artes, a cultura e as tradições das diferentes comunidades e criar uma plataforma de interacção, intercâmbio e de divulgação do rico e diversificado património cultural do país.</p>
<br />Filed under: <a href='http://gm54.wordpress.com/category/mocambique/'>Moçambique</a> Tagged: <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/chimoio/'>Chimoio</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/cultura/'>Cultura</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/edmundo-galiza-matos/'>Edmundo Galiza Matos</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/festival-nacional-da-cultura/'>Festival Nacional da Cultura</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/manica/'>Manica</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/mocambique/'>Moçambique</a>, <a href='http://gm54.wordpress.com/tag/namaacha/'>Namaacha</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gm54.wordpress.com/1860/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gm54.wordpress.com/1860/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gm54.wordpress.com/1860/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gm54.wordpress.com/1860/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gm54.wordpress.com/1860/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gm54.wordpress.com/1860/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gm54.wordpress.com/1860/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gm54.wordpress.com/1860/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gm54.wordpress.com/1860/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gm54.wordpress.com/1860/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gm54.wordpress.com/1860/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gm54.wordpress.com/1860/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gm54.wordpress.com/1860/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gm54.wordpress.com/1860/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gm54.wordpress.com&amp;blog=5717618&amp;post=1860&amp;subd=gm54&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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