Bob Dylan e as suas múltiplas personagens em “Não Estou Lá”

Bob Dylan

Bob Dylan

Como retratar um artista multifacetado como Bob Dylan? Bem, haveria muitas soluções, mas o director Todd Haynes encontrou uma das mais originais em “Não Estou Lá”: escalou vários actores para interpretar o cantor e compositor, e inclusive uma actriz, Cate Blanchett, indicada para o Oscar pelo papel. O filme também concorreu no Festival de Veneza. Originalidades dão certo, ou não. No caso, o saldo parece positivo, embora tenha agradado mais aos fãs de Dylan do que àqueles que gostariam de se informar, de maneira mais convencional, sobre a trajectória do ídolo.

Isso porque “Não Estou Lá” se desenvolve como uma espécie de falso documentário. A trilha é toda de Dylan e as letras servem como roteiro intelectual e sentimental do artista. As “personas” atribuídas a Dylan seriam o recurso mais aproximado para captar, no todo, essa personalidade complexa. Haynes chegou a conversar com o próprio Dylan sobre o projecto? Sim. Dylan autorizou-o, mas não conseguiu (ou não quis) abrir brecha na agenda para recebê-lo ou discutir essa opção artística inusitada. Como o filme é todo ele invenção e construção hipotética, talvez esse encontro não tenha feito falta. E é bom filme.

Por: Luiz Zanin Oricchio (estadao.com.br)

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