Música – TIMBILA TA GWEVANE : Viagem pelo Índico à busca de intercâmbio

Timbila de Moçambique, património da humanidade

Timbila de Moçambique, património da humanidade

UM grupo de jovens dançarinos e tocadores moçambicanos deslocou-se recentemente para a Ilha Reunião numa digressão que tinha como objectivo a troca de experiências e o intercâmbio cultural entre os artistas que fazem parte dos países banhados pelo Índico.
Numa viagem em que estiveram fora do país por mais de 10 dias, o grupo começou por se deslocar à Suazilândia, onde trabalhou com artistas locais, particularmente dançarinos. Depois, com os suazis partiram para a África do Sul, tendo ficado a trabalhar com vários grupos de canto e dança daquele país. Os trabalhos iniciaram na cidade de Durban e depois todos se deslocaram para Joanesburgo, donde depois partiram para a Ilha Reunião. O grupo moçambicano era composto por oito elementos, sendo seis homens e duas mulheres e tinha como chefe da equipa Bob Mahuaie, líder da banda Timbila ta Gwevane. Bob Mahuaie explicou que uma das razões que motivou esta digressão para a participação num festival que já tem tradição na Ilha Reunião no mês de Novembro tem a ver com a necessidade de manutenção dos ritmos e sistemas tradicionais, sobretudo aqueles que são assentes no toque, no canto e na dança e nos motivos que há por detrás da preparação dos instrumentos tradicionais utilizados nessas manifestações culturais.

Ganhos da participação

De Moçambique, o prato forte que os jovens levavam era a Timbila, os Tambores e várias danças tradicionais.
O nosso interlocutor observa que países como a África do Sul, a Suazilândia, e outros ilheus como Mayotte e Seychelles tem uma componente forte na preservação da sua cultura tradicional, comparativamente ao que tem acontecido nos últimos anos entre nós. A tendência no nosso país, diz, é de uma estilização daquilo que é tradicional para dar azo a coisas fúteis e supérfluas que não têm enquadramento naquilo que é de raiz.
“O que nós descobrimos é que esses são países que se preocupam em preservar o seu rico e vasto património cultural. Por outro lado, eles têm diversos festivais, alguns até que chegam às localidades, aos distritos e às províncias. E nós não temos esse tipo de eventos, para além de que dependemos somente de efeméride para sair à rua e realizar coisas pequenas”, lamenta.
Refere que foram ovacionados os grupos culturais da África do Sul e da Suazilândia, sobretudo pela sua performance não só no palco, como pelos motivos que apresentaram uma vez que tanto o canto, como a dança, os instrumentos, a mensagem e a indumentária personalizam a vida cultural tradicional dos seus países. Nada está estilizado.
Para além dos tambores, que são os tradicionais batuques, e da timbila, o grupo levava consigo uma relação da timbila, do batuque com viola baixo, perfeitamente executada por Neuza Naiene.
Aliás, esta exímia baixista, Neuza Naiene, desloca-se ainda este mês para França, onde vai participar num festival cultural de música, canto e dança tradicionais. Neuza vai viajar em nome da banda Timbila ta Gwevane, que é um grupo que se dedica à produção de música tradicional. Neuza escalará aquele país europeu com mais uma colega, sendo que a sua partida está agendada para o dia 14 e o regresso a 24 do mês em curso.
“Esta viagem é produto da entrega e dedicação da nossa banda – Timbila ta Gwevane – , em parceria com o Município da Matola. Nós temos vindo a trabalhar juntos nossos últimos tempos, o que agradecemos sobretudo o apoio que temos recebido por parte do Município”, conta Bob Mahuaie.
Entretanto, um dos principais nós de estrangulamento desta banda é o facto de receber muitos convites para digressões no estrangeiro e mesmo para algumas províncias dentro do país, entretanto, não ter como dar encaminhamento a isso.
“Quando a gente mostra os convites para representarmos o país fora muito dizem que nós somos um grupo desconhecido. E nós nos perguntamos afinal não é trabalhando que nos vamos tornar conhecidos?”, questiona, ao mesmo tempo que revela que a sua banda já tem estatutos elaborados faltando apenas proceder ao registo no cartório notarial.
Quanto aos projectos futuros, o nosso entrevistado referiu que, para além de música tradicional, eles formaram um colectivo que está a trabalhar para a preservação do canto, dança e instrumentos tradicionais. Com esta equipa eles lutam pela preservação dessa componente tradicional.
Mas, também tem desenvolvido outras potencialidades, como a música de fusão, por exemplo, mas sem perder a base tradicional.
Actualmente, Timbila ta Gwevane é composto por 10 músicos, num grupo que conta já com uma formação de juniores, no qual estão petizes de 8 a 16 anos, entre bailarinos e músicos, ainda numa fase de aprendizagem.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: