Freddie Hubbard: morreu um dos maiores trompetistas da história

O virtuoso

O virtuoso

Tocou em mais de 300 discos e colaborou com nomes lendários do jazz como Thelonious Monk, Miles Davis, John Coltrane, Herbie Hancock, Sonny Rollins, Eric Dolphy, Ornette Coleman ou Cannonball Adderley, foi membro dos Art Blakey Jazz Messengers durante 4 anos, ganhou um Grammy em 1972 pelo disco First Light, e marcou a geração de trompetistas que lhe sucedeu.

Freddie Hubbard, o trompetista americano famoso pela sua contribuição para o chamado “som Blue Note” de início dos anos 60, morreu em Los Angeles, dia 29 de dezembro último, de complicações relacionadas com um ataque cardíaco que tinha sofrido em Novembro. Contava 70 anos.

Declarou à agência AP o trompetista Wynton Marsalis: “Ele influenciou todos os trompetistas seguintes. Claro que o ouvi muito. Todos o ouvimos. Tinha um grande som e um grande sentido do ritmo e do tempo, e a exuberância é a grande característica do seu estilo”.

De acordo com Peter Keepnews, do The New York Times, Freddie Hubbard “maravilhava o público com o seu virtuosismo, o seu sentido melódico e a sua energia contagiosa em simultâneo”.

Para este crítico de jazz, apesar de Hubbard nunca ter sido “um vanguardista por temperamento, participou em três dos discos de referência do jazz de vanguarda dos anos 60: Free Jazz, de Ornette Coleman, Out to Lunch, de Eric Dolphy, e Ascension, de John Coltrane”.

Hubbard recordou à revista Downbeat, em 1995, o seu encontro com Coltrane: “Encontrei o Trane numa jam session no clube do Count Basie no Harlem, em 1958. Ele disse-me ‘Porque é que não apareces lá em casa e vamos ensaiar um bocado juntos?’ Quase que fiquei maluco. Ali estava um miúdo de 20 anos a ensaiar com o John Coltrane. Ele ajudou-me muito e acabámos por tocar várias vezes juntos”.

Nascido em Indianapolis, Frederick Dewayne Hubbard começou a tocar na banda da escola. Em 1958 mudou-se para Nova Iorque, gravou o seu primeiro álbum, Open Sesame, e impôs-se logo nos círculos do jazz. Foi contratado pela Blue Note em 1960. Em 1961, Hubbard juntou-se aos Jazz Messengers, que deixaria em 1964, formando o seu grupo em 1966. Mas foram as gravações com Herbie Hancock nos meados da década de 60 que o colocaram entre os mais destacados trompetistas de hard bop, e que segundo alguns o tornaram no igual de John Coltrane.

O sucesso mais mainstream de Freddie Hubbard aconteceu na década de 70, graças a vários discos a solo, caso de Red Clay, Straight Life e o referido e premiado First Light, todos para a editora CTI. Começou então a incluir nos seus discos instrumentos eléctricos, ritmos funk e rock, arranjos para cordas e até canções fora do âmbito do jazz, aderindo à moda da fusão típica da década.

Hubbard voltou às raízes nos anos 80, mas em 1992 magoou-se seriamente no lábio superior, e a partir daí só tocou esporadicamente e já sem o fogo de outrora. Em 2007, comentou numa entrevista: “Aconselho qualquer jovem trompetista a não fazer o que eu fiz, porque este estilo pode ser prejudicial à saúde”. E.B., com ‘The Guardian’, BBC e ‘The New York Times’

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2 Respostas to “Freddie Hubbard: morreu um dos maiores trompetistas da história”

  1. e uma porcaria

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