A revolução eléctrica do ‘rock’n’roll’ faz 40 anos

(Ainda) Os mais desejados

(Ainda) Os mais desejados

A 12 de Janeiro de 1969, os Led Zeppelin editavam o seu álbum de estreia. Depois de primeiros concertos que anunciavam uma nova leitura dos “blues”, o disco, homónimo, confirmava as suspeitas. Hoje, 40 anos depois, continuam a cultivar o mesmo título de sempre: os mais desejados.

Apontados como os precursores do “Heavy Metal”

Quando se mostraram ao público pela primeira vez, em 1968, os Led Zeppelin revelavam-se ambiciosos o suficiente para se proporem mudar o percurso da música popular desenhado até então pelos quadrantes guitarra-bateria-baixo-voz. 40 anos após a edição do primeiro álbum, celebrados hoje, a sobranceria transformou-se em realidade evidente, mesmo que o gosto ainda se discuta.
Led Zeppelin, editado a 12 de Janeiro de 1969, foi primeiro fruto de um investimento esforçado e ponto de partida para uma história de sucessos e tragédias milionárias.
Em 1968, e ainda sem disco editado, os Led Zeppelin tinham garantidos 200 mil dólares da americana Atlantic Records. Ahmet Ertegun, apaixonado pela tradição musical americana, reconhecia em Jimmy Page um explorador dos blues, guitarrista inventivo, produtor esclarecido e discípulo do lendário misticismo de Robert Johnson, o bluesman que tinha vendido a alma ao diabo em troca do dote que o tornou mítico.
Page pronunciava-se vítima da separação dos Yardbirds (por onde passaram também Eric Clapton e Jeff Beck) e procurava um novo grupo para fazer desfilar o seu ego consciente. Quis Keith Moon e John Entwistle, ambos dos The Who, como secção rítmica mas a resposta não foi a esperada: um “supergrupo” daquela natureza seria como um dirigível de chumbo (em inglês, lead zeppelin), pronto a despenhar-se – a letra “a” seria excluída do nome para evitar leituras erradas.
Os contactos certos construíram o line up final. No baixo, John Paul Jones, com formação divagante entre Charles Mingus e Rachmaninov, o multi-instrumentista que assinou arranjos para os Rolling Stones ou Donovan. Bateria e voz com John Bonham e Robert Plant, vindos dos Band of Joy e apresentados quase como messias de um novo british blues. Resultado: luta de egos com pouca rivalidade mas boas doses de virtuosismo competitivo, limitado pela referência primeira para cada um: os blues. Este deixou-se rodear de contos britânicos, das mágicas brumas de Avalon e das explícitas referências ao universo criado por Tolkien. Mas foi sempre a personagem principal no enredo assinado pelos Zeppelin.
Ao primeiro álbum, a revolução, mais eléctrica e mais pesada que nunca, da história do rock’n’roll escrito em 12 compassos, ainda que com espaço para as guitarras acústicas e nem sempre (mas quase sempre) cantando as graças abençoadas pela sexualidade. E primeiro passo para a coerente incoerência criativa do grupo, escrevendo e “roubando” (há quem diga que até o fizeram sem aspas) aos standards do Mississippi e ao folclore da velha Albion.
Hoje são vistos como profetas do heavy metal e de quase tudo o que lhes seguiu por entre alguns dos estereótipos da década de 70. Recordes de assistência ao vivo, mais de 300 milhões de discos vendidos e um final sem retorno, ditado pela morte de John Bonham em 1980. Tudo depois do primeiro Led Zeppelin, só depois as lendas de excesso, o mesmo que acompanha os fãs, que continuam a querê-los de volta.

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