Fim da linha para o autor que fez um Coelho corer

Uma das escritas que melhor descreveram a America

Uma das escritas que melhor descreveram a America

O escritor John Updike faleceu ontem aos 76 anos. Acusado de racista, misógino e pró-sistema no pós-guerra do Vietname, o autor fecha mais um capítulo dos grandes criadores norte-americanos do século XX. Ganhou dois Pulitzer e seduziu milhões de leitores com narrativas sobre sexo, religião e arte.

Gostava de escrever para as clássicas revistas literárias como a The New Yorker e a The New York Review of Books mas, ontem, foi no mundo virtual que a biografia de John Updike foi actualizada quase imediatamente ao ser-lhe acrescentada à data 18 de Março de 1932 aquela que ainda faltava: 27 de Janeiro de 2009. A notícia da morte de um dos mais prolixos escritores norte-americanos não foi inesperada porque era conhecida a sua luta de há algum tempo contra um cancro de pulmão.

Com o anúncio da morte de John Updike cala-se uma das escritas que melhor descreveram a América durante o século XX e que fazia questão de afirmar abertamente que se posicionava ao centro nas questões que afligiram o cidadão médio do seu país. “Gosto de estar ao meio, é aí que os extremos se anulam e onde a ambiguidade não governa”, dizia quando o questionavam sobre os assuntos que mais dividiram o seu tempo.

John Updike utilizou várias expressões literárias. Foi romancista, novelista, ensaísta, autor infantil e poeta. Apesar de ser escritor não deixou de se pronunciar sobre as obras de outros autores ao longo de uma carreira que também se ocupou da crítica literária. A atestar a sua originalidade está o facto de ser dos poucos que bisou o Prémio Pulitzer e o National Book Awards mas, apesar da uma extensa produção, John Updike não se livrou da forte marca da sua série protagonizada pelo senhor Harold “Rabitt” Angstrom e foram os títulos com o “Coelho” que o popularizaram em todo o mundo.

Os romances sobre este Coelho incorporavam as dúvidas que o próprio, na sua autobiografia, referia como sendo as mais importantes para o ser humano: a arte, a religião e o sexo. Nesse quarteto iniciado com Corre, Coelho (Rabbit, Run), Updike fez o retrato do percurso de um homem ao radiografar as tradicionais situações do emprego, do casamento, dos casos extraconjugais, dos pequenos sucessos de uma vida e, finalmente, da morte.

Antes de chegar o reconhecimento mundial com esta série, o escritor publicou pela primeira vez, em 1959, o título The Poorhouse Fair. Depois, a vida nos subúrbios americanos, os efeitos da Depressão económica, a herança moral da II Guerra Mundial dominaram a sua obra. Os conflitos sociais originados com a guerra do Vietname, as lutas dos estudantes, a emancipação das mulheres e os direitos dos negros encaixaram-no no sistema e foi violentamente criticado por ser “racista” e “misógino”. Antes de se dedicar à escrita, profissão em que jurou escrever todos os anos um livro, John Updike foi jornalista. Tinha 76 anos.

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