Com a morte de Orlando “Cachaito” Lopez, os Buena Vista Social Club perderam o seu “batimento cardíaco”

O "Batimento cardiáco" do Buena Vista Social Club

O "Batimento cardiáco" do Buena Vista Social Club

O “batimento cardíaco” dos Buena Vista Social Club, o contrabaixista Orlando “Cachaito” Lopez, morreu segunda-feira, 9, na sequência de complicações após uma cirurgia, em Cuba. Depois das mortes, nos últimos anos, dos cantores Compay Segundo Pio Leyva e Ibrahim Ferrer e do pianista Rubin Gonzalés, os Buena Vista ficam irremediavelmente mais pobres.

Também a música cubana fica a perder, diz Amado Valdes, outro dos elementos da banda de músicos da era clássica do som cubano, formada pelo produtor e guitarrista norte-americano Ry Cooder em 1996. “É uma perda insubstituível para a música cubana, ele é o último sobrevivente da dinastia de contrabaixistas”. Na família Lopez, reza a lenda, contam-se pelo menos 30 contrabaixistas. Mas o Guardian cita o músico, feliz por que a filha e a neta também tocarem contrabaixo, a esclarecer: “Dezassete de nós foram contrabaixistas!”

Um contrabaixista “soberbo”, recorda o trompetista dos Buena Vista Manuel “Guajiro” Mirabal, à Associated Press. “Maravilhoso tanto na sua música quanto pessoa”, elogia o músico cubano Manuel Galban. Nas palavras de Cachaito, viveu “sempre com swing”, como cita o Guardian.

O músico, nascido em Havana em 1933, tinha formação clássica. O seu tio era o mítico contrabaixista Israel “Cachao” Lopez. Por insistência do avô, que queria prolongar a linhagem do instrumento na família, aprendeu a tocar contrabaixo – num violoncelo. Aos 14 anos, fundou a sua própria charanga (os grupos de música tradicional cubana). Em 1957, já tocava com a big band cubana Riverside e, três anos depois, era contrabaixista da Sinfonia Nacional cubana, como o pai tinha sido.

Tal como os restantes membros dos Buena Vista Social Club, Cachaito atingiu a fama internacional já depois dos 60 anos e graças ao filme homónimo de Wim Wenders (1999), nomeado para um Óscar, que os tornou no projecto musical cubano mais celebrado e transversal dos últimos 50 anos. Mas Orlando “Cachaito” Lopez tinha uma vida artística independente – o seu primeiro álbum a solo, Cachaito (2001), recebeu vários prémios.

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