Salman Rushidie e a somba da “Fatwa”

A "Fatwa" não foi um incidente isolado

Salman Rushidie: A "Fatwa" não foi um incidente isolado

Fez 20 anos que no Irão, o “ayatollah” Khomeini condenava à morte Salman Rushdie por causa do seu livro “Os Versículos Satânicos”, julgado “blasfemo contra o islão”

Vinte anos depois do ayatollah Khomeini ter proclamado, na Rádio Teerão, uma fatwa (decreto islâmico) de condenação à morte do escritor indo-britânico Salman Rushdie por causa do carácter “blasfemo contra o Islão” do seu livro Os Versículos Satânicos, as autoridades iranianas anunciaram semana passada que aquela disposição, datada de 14 de Fevereiro de 1989, continuava válida.

“Em nome de Deus todo-poderoso… Quero informar todos os muçulmanos que o autor do livro Os Versículos Satânicos… foi condenado à morte. Apelo a todos os muçulmanos zelosos a executar este decreto rapidamente. Que Deus vos abençoe a todos.”

Foi assim que há exactamente 20 anos, Khomeini, o guia supremo da revolução islâmica (falecido logo a seguir, em Junho), pronunciou a sua sentença contra Salman Rushdie. E foi oferecida uma recompensa a quem matasse o escritor, que vivia na Grã-Bretanha e teve que mergulhar na clandestinidade, passando a estar sob protecção policial e transformando-se num símbolo da liberdade de expressão. Desde então, Rushdie, de 61 anos, ainda recebe, todos os anos, nesta data, “uma espécie de cartão do Dia dos Namorados” do Irão, para lhe recordar que não foi esquecido o voto de morte.

Publicado em Setembro de 1988, Os Versículos Satânicos (o título refere-se a uma discutida tradição muçulmana segundo a qual Maomé acrescentou versículos de inspiração diabólica ao Alcorão, que mais tarde retirou, ao perceber a sua maléfica influência) causou controvérsia imediata no mundo islâmico, pelo que diziam ser uma representação irreverente e blasfema do profeta Maomé, entre outros elementos gravemente ofensivos.

A obra foi banida em muitos países com grandes comunidades islâmicas, e a sua publicação, acrescentada à fatwa, desencadeou protestos, manifestações e actos de violência em todo o mundo, incluindo o incêndio de livrarias e queimas do livro “blasfemo”. Em Março de 1989, o Irão e a Grã-Bretanha romperam relações diplomáticas por causa de Salman Rushdie. Em 1998, as autoridades iranianas disseram que não iriam aplicar a fatwa, e Rushdie saiu enfim da sombra. O autor, que rejeitou o Islão na adolescência, diz que nunca lamentou ter escrito Os Versículos Satânicos e que a fatwa não foi um “incidente isolado”, mas sim “o prólogo” de uma longa história que começou com o 11 de Setembro de 2001, nos EUA, e cujo capítulo mais recente são os atentados de Bombaim, em Novembro de 2008.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: