Quirimbas: ontem eram os BA’s. Hoje são os AB’s”

Localização do Parque Nacional das Quirimbas

Localização do Parque Nacional das Quirimbas

Por Edmundo Galiza Matos e Domingos Paulo em Pemba

A população do posto administrativo de Mucojo, na província de Cabo Delgado, tem estado a exigir indemnização ao Parque Nacional das Quirimbas alegando ter perdido parentes e culturas agrícolas causado pela acção de animais bravios sob protecção rigorosa.

A exigência dos peticionários foi encaminhada ao governo local exactamente quando as autoridades procediam a entrega às comunidades circundantes do parque de um valor monetário não especificado proveniente de parte das receitas das actividades do eco-turismo.

A lei moçambicana determina que 20% das receitas geradas naquele e outros parques nacionais bem como da exploração de recursos florestais e outros, sejam investidos em infra-estruturas sociais, como escolas e unidades de cuidados sanitários.

Alguns populares presentes naquele encontro, informaram que em consequência do que é vulgarmente chamado de “conflito homem-animal”, perderam muitos bens agrícolas e outros devido à acção dos elefantes existentes no parque em número não quantificado.

Mussa Bacar, um dos peticionários, queixou-se da morte de um dos seus filhos apanhado nas malhas de uma manada de paquidermes desgarrados, saídos dos limites do Parque Nacional das Quirimbas.

Bacar relatou que no dia do fatídico acontecimento, a fúria dos elefantes foi tal que tudo o que encontraram pela frente foi destruído, incluindo os coqueiros e outras plantas, para além de um campo de cultivo de arroz, que lhe serviam de sustento.

Pelos depoimentos registados na altura, ficou patente uma certa incredulidade dos populares face ao que consideram uma exagerada protecção da fauna bravia das Quirimbas em detrimento da defesa dos interesses das comunidades.

Em consequência disso, o “conflito homem-animal” e as medidas proteccionistas da fauna bravia – muitas das quais chocam com os hábitos ancestrais das comunidades – entraram no leque das anedotas populares e suscitam os mais irónicos comentários.

Tão simples quanto a imaginação popular é capaz de fabricar trocadilhos até numa língua que não dominam: antes, afirmam os lesados pela guerra civil de ontem, não tinham a protecção armada contra as constantes investidas dos “Bandidos Armados” (BA’s) e hoje, para o seu desagrado, não têm a protecção armada contra os “Animais Bravios”(AB’s).

“Armas de piri-piri” e vedação electrificada como protecção ken_leopard1

José Dias, Administrador do Parque Nacional das Quirimbas, não assumiu nenhuma posição relativa à indemnização exigida pela população do Posto Administrativo de Mucojo, dando a saber apenas que a instituição, ela própria, está preocupada com os acontecimentos, adiantando apenas que medidas estão a ser equacionadas tendo como meta mitigar as causas e efeitos deste conflito “Homem-Animal”.

Para já o Parque Nacional das Quirimbas possui armas de fogo, algumas das quais da marca “Mauser” a que se juntam um lote de “armas de piri-piri” (*) recentemente adquiridas e ainda em fase de experimentação para aferir da sua eficácia. Em fase de experimentação está também o fogo de artifício.

No vizinho distrito de Quissanga, integrado no Parque das Quirimbas, poderá ser instalada uma vedação eléctrica destinada a dissuadir os animais de se afastarem do seu habitat.

Todo este arsenal destina-se a afugentar os animais ou, em último caso, para o seu abate. Em Mucojo esta tarefa está a cargo de quatro funcionários munidos de uma arma de fogo, incapazes de controlar as incursões da fauna bravia sobre os campos de cultivo das populações.

Próximo do Parque Nacional das Quirimbas está a Reserva de Messalo abrangendo um outro posto administrativo, o de Quiterajo, também no distrito de Macomia.

Moçambique

Moçambique

Na província de Cabo Delgado, o conflito homem-animal não se circunscreve apenas aos distritos que integram o Parque Nacional das Quirimbas, nomeadamente, Quissanga, Macomia e Pemba-Metuge banhados pelo Índico e ainda os do interior, designadamente Meluco e Ancuabe.

Mais a norte da província, junto à fronteira com a Tanzânia, a “guerra” entre o homem e os animais bravios tem como palco os distritos de Palma (costeiro), Nangade e Mueda.

Para muitos defensores da vida animal o actual conflito desencadeado pela invasão dos espaços onde sempre viveram e coabitaram os animais e não contrário. Quer dizer: o homem é o principal culpado do actual estado das coisas. Foi ele que se atravessou pelos carreiros e fontes de água há milhares de anos trilhados e utilizados pelos animais, sobretudo pelos elefantes.(X)

2 Respostas to “Quirimbas: ontem eram os BA’s. Hoje são os AB’s””

  1. Alo Galiza so licenciada em Jornalismo pela U.E.M e neste momento a fazer mestrado em Desenvolvimento local e gestao de turismo,. Gostei do Artihgo das fotos e gostaris de me manter em contacto. Saudacoes

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