O “Até sempre Ricardo Rangel” é hoje em Maputo

Rangel no Centro de Formação Fotográfica, em Maputo

Rangel no Centro de Formação Fotográfica, em Maputo

Vão hoje a enterrar no cemitério de Lhanguene, em Maputo, os restos mortais do proeminente fotojornalista moçambicano, Ricardo Rangel, falecido na noite da passada quinta-feira, 11.

O estado moçambicano tomou a si a responsabilidade das cerimónias do último adeus a este ícone da fotografia moçambicana, aguardando-se que várias centenas de pessoas, entre colegas, familiares, fazedores de arte, membros do governo, da sociedade civil e outros, prestem o derradeiro adeus a Rangel.

A urna contendo os restos mortais do foto-jornalista estará depositada nos Paços do Conselho Municipal da cidade de Maputo, após o que será transportada para a sua derradeira morada.

A morte de Rangel ocorreu de forma súbita, quando ele se encontrava em sua residência por volta das 20 horas desta Quinta-feira. No mesmo dia, ele havia estado a trabalhar no Centro de Formação Fotográfica (CFF), onde ele era director.

Contudo, desde Setembro de 2006, Rangel padecia de problemas cardiovasculares, tendo ficado hospitalizado durante perto de um ano. Por causa deste problema, foi-lhe amputada uma das suas pernas em 2007, mas desde lá vinha recuperando, apesar de sofrer recaídas de quando em vez.

Considerado decano dos fotojornalistas moçambicanos, Ricardo Achiles Rangel foi um dos primeiros jornalistas de imagem do país não-brancos com carreira iniciada no tempo colonial.

Ao longo do regime colonial português, diversas fotografias de Rangel foram banidas devido ao seu carácter crítico. Aliás, em entrevista dada a BBC em Junho de 2005, Rangel chegou a dizer que os “censores” da era colonial não eram muito inteligentes.

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“Muitas vezes eles não se apercebiam da mensagem que transmitia certo texto ou determinada fotografia: não sabiam ler as fotografias. Passaram algumas que eram declaradamente contra o regime, mas a grande maioria só foi publicada depois da independência”, disse ele, na altura.

Ao longo da sua careira, Rangel fotografou diversos acontecimentos que documentam diversos acontecimentos de carácter socio-económico e cultural do país.

Ele faz parte do grupo de jornalistas da revista Tempo, a primeira publicação a cores do país, bem como trabalhou para os jornais “A Tribuna”, “Domingo”, entre outros, tendo depois fundado o CFF, onde era director desde 1983.

Ano passado, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição do ensino superior do país, distinguiu Rangel com o titulo de Doutor Honoris Causa em História Visual, em reconhecimento da sua contribuição para o país ao longo do seu percurso humano e profissional.

É o único fotojornalista moçambicano que, graças à grandiosidade e universalidade da sua obra, foi seleccionado para figurar numa lista mundial de ouro, que integra apenas os melhores mestres da arte de fotografar de todo o mundo. Actualmente, conta com 327 nomes compilados nos últimos 200 anos.

Outro facto que mostra que Rangel foi um grande mestre na arte de fotografar, é que essa lista de ídolos fotográficos mundiais, encabeçada pelo pioneiro francês desta arte Louis Daguerre, nascido em 1787 e falecido 73 anos antes do nascimento de Rangel – é que o nosso RR é apenas um dos três africanos que fazem parte dessa galeria de ouro dominada por grandes mestres fotográficos dos EUA, França, Grã-Bretanha e vários outros países desenvolvidos, como Itália, Alemanha, Suécia, Suíça, Japão, Canada e Austrália.

Os outros dois mestres do nosso continente são Gary Schneider, da África do Sul e Samuel Fosso, apresentado na lista como sendo apenas um africano.

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