Com a língua de fora, mas infatigáveis

Gene Simmons, o mais linguarudo dos roqueiros

Gene Simmons, o mais linguarudo dos roqueiros

Gene Simmons, baixista e vocalista do Kiss, é um herói do rock com a língua solta. Nos dois sentidos. Fala bastante e mostra ainda mais a língua. Aos 59 anos, o mais famoso linguarudo da música concedeu uma entrevista ao jornalista brasileiro Jotabê Medeiros sobre a nova digressão da banda no Brasil.

O Kiss vem sem Ace Frehley e Peter Criss, metade da formação original. Como você pode garantir que esse ainda é o Kiss?

Quando éramos jovens, nós achávamos que uma banda nunca poderia se separar senão ela perderia sua alma. Depois, a gente vê que isso não é verdade. Ringo Starr não era da formação original dos Beatles. Vários membros dos Stones saíram da banda, e os Stones não acabaram com a saída de Brian Jones. O Van Halen não acabou sem David Lee Roth. Quase todas as grandes bandas têm formações diferentes de quando começaram. Uma banda é como um time de futebol, não é só um jogador. Quando o time perde, todos perdem. Nós agora temos a responsabilidade de dar à banda a pegada de sempre, de manter o espírito rock?n?roll.

Desde os anos 1970, vocês se mantêm no topo, com legiões de fãs no mundo todo. Qual é o segredo dessa longevidade?

A única coisa que nunca muda, para mim, é que nós buscamos atender às expectativas dos fãs. Não se trata apenas de cantar umas músicas, mas de cantá-las como se fosse a primeira e a última vez. Nós sabemos do sacrifício de alguém comprar um tíquete, esperar com ansiedade o seu show preferido, espremer-se entre a multidão. Porque um dia nós também fomos fãs. Então, o que damos a eles é o nosso melhor, é o que chamamos de extravagância ao vivo.

Há uma espécie de lenda urbana aqui no Brasil que conta o seguinte: nos anos 1970, vocês estiveram no México e viram o show de um grupo brasileiro chamado Secos & Molhados. Dali, copiaram a ideia de se apresentar com maquiagem pesada, mascarados.

Conheço essa lenda. Já ouvimos falar dessa história. Não é verdade. Muitas pessoas acreditam nisso, mas também há muitas pessoas que acreditam em discos voadores, não?

Aliás, há muitas novas bandas que cantam mascaradas hoje em dia, como o Slipknot. Você gosta disso?

É legal, não tenho o menor problema com isso. Eu acho que os novos músicos devem fazer o que acham que têm de fazer. Não importa o que eu acho disso. Mas o princípio deve ser aquele.

A atual formação do Kiss está trabalhando em novo CD. Quando sai?

Sim, vamos lançar um álbum com 12 ou 15 canções inéditas. Já gravamos vocais e guitarras para quatro delas. Devemos concluir o álbum em julho e lançá-lo em setembro. Eu posso definir o som da seguinte forma: é um disco “rock?n?rollover”, com uma sonoridade mid-seventies, veloz, pesado. Não haverá nenhum rap, nenhuma música country. É difícil definir música, mas se você mantiver sua mente ligada nessa definição, vai saber muito bem do que se trata. É o som clássico do Kiss.

Você sabe: desde os anos 1990, tudo vem mudando na indústria musical. Hoje, as trocas de arquivos musicais pela internet fazem com que o comércio de música esteja completamente diferente de quando vocês vendiam milhões. Como vê isso?

Algo tem de mudar. Ter algo de graça, para mim, é roubo. Nós não fazemos música por caridade. Escrever uma canção, gravá-la, produzi-la, lançá-la, tudo isso custa. Penso que algo já está mudando, hoje se pode vender música direto em cadeias como Best Buy e Wal-Mart. Minha opinião é que, se a música é de graça, você vai acabar matando todos os novos bebês da música e todos os clássicos. Nunca mais você ouvirá um novo Appetite for Destruction.

Você participa de dois reality shows na televisão, Escola do Rock e uma série já famosa aqui no Brasil, Uma Família Joia (Family Jewels, exibida no canal A&E). Qual é a conexão que você vê entre música e esse tipo de programa?

É tudo a mesma coisa. Quando você grava, você assina com uma companhia de discos, vai ao estúdio, produz, assina contratos de divulgação. Quando escreve um livro, assina com uma editora, vai a eventos de promoção, busca seus direitos autorais. A TV me contratou, e me paga para isso. É uma atividade de criação, como todas as outras.

No show Uma Família Joia você está acompanhado de seus filhos, Nick e Sophie, e de sua mulher, a ex-coelhinha Shannon Tweed. Além da série de TV, o que mais eles compartilham com você artisticamente?

Bom, Nick e Sophie estudam piano e guitarra. Eu disse a eles que, se aprenderem a ler música, poderão fazer música com confiança. Nick também é cartunista. Ele escreve e desenha o gibi Incarnate, que será lançado na Comic Con de San Diego. Sophie é agitada, pratica basquete, tracking. Nós somos sortudos e abençoados.

Ouvi dizer que você também joga golfe, como o Alice Cooper.

Não jogo nada. Não tenho hobbies. Ou melhor: tenho o melhor hobby do mundo, que é ser Gene Simmons do Kiss. É um hobby para o qual não há regras. E eu nunca tenho de perguntar a alguém como devo me comportar ou o que fazer. Mesmo o papa tem de perguntar pra alguém. Eu não tenho mestre nem patrão.

Uma resposta to “Com a língua de fora, mas infatigáveis”

  1. テレビ電話オナニー http://www.honeyflash.net/cate.php?c=107 ギャルとツーショット通話

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: