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“Quem quer ser Bilionário?” é o Melhor Filme e o grande vencedor da noite dos Óscares

Posted in Óscares, Cinema with tags , , , , on 23 de Fevereiro de 2009 by gm54
8 estatuetas para "Quem Quer Ser Bilionário"

8 estatuetas para "Quem Quer Ser Bilionário"

Quem quer ser Bilionário?” conquistou o Óscar de Melhor Filme, terminando a noite da 81.ª edição dos prémios da Academia como a película mais premiada, com oito estatuetas douradas, entre as quais a de Melhor Realizador (Danny Boyle) e Melhor Argumento Adaptado. Sean Penn, Kate Winslet, Penélope Cruz e o falecido Heath Ledger levaram os prémios de interpretação.

A história de um rapaz dos bairros de lata de Mumbai que ganha um prémio milionário num concurso de televisão conquistou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, deixando de fora dos principais prémios o recordista das nomeações do ano “O Estranho Caso de Benjamin Button” (13), que conquistou apenas três estatuetas, todos em categorias técnicas (caracterização, efeitos visuais e direcção artística).

“Quem quer ser Bilionário” venceu ainda nas categorias de Melhor Fotografia, Som, Montagem, Banda Sonora Original e Canção Original.

O segundo filme a receber mais estatuetas foi “O Estranho Caso de Benjamin Button”, que levou para casa três prémios, os relativos a Melhor Cenografia, Maquilhagem e Efeitos Visuais. A película protagonizada por Brad Pitt, que saiu derrotado na categoria de Melhor Actor, tinha o maior número de nomeações, 13 no total.

Numa cerimónia apresentada por Hugh Jackman, que rompeu com uma longa tradição de serem comediantes a desempenharem esse papel, “Bilionário” confirmou no Kodak Theatre em absoluto o seu favoritismo, tal como Kate Winslet, que com o seu papel de freira em “O Leitor” conquistou o seu primeiro Óscar, apenas à sua sexta nomeação, derrotando, entre outras, Meryl Streep que, com “Dúvida”, somava este ano a sua 15ª nomeação.

Menos esperado foi o triunfo de Sean Penn, que foi considerado o melhor actor por “Milk”, em prejuízo de Mickey Rourke, que era o grande favorito entre os nomeados pelo seu “comeback” como lutador envelhecido em “O Wrestler”.

O momento mais emotivo da noite aconteceu com a entrega do Óscar de melhor actor secundário a Heath Ledger, falecido há pouco mais de um ano com overdose de medicamentos, pelo seu Joker de “O Cavaleiro das Trevas”. Ledger foi o segundo a receber um Óscar póstumo de interpretação, depois de Peter Finch, considerado o melhor actor de 1976 em “Escândalo na TV” dois meses depois da sua morte. A receber o prémio em nome de Heath Ledger esteve o seu pai, Kim.

Penélope Cruz, por “Vicky Christina Barcelona”, triunfou na categoria de melhor actriz secundária.

A película “Departure” (Japão) foi distinguida com o Óscar para melhor filme em língua estrangeira.

Poucos americanos entre os vencedores

Foram 24 os prémios atribuídos, mas poucos foram para norte-americanos. Os quatro prémios de interpretação foram para actores de quatro nacionalidades diferentes e apenas um foi norte-americano, Sean Penn (melhor actor). Os outros foram para uma inglesa (Kate Winslet, “O Leitor”, uma espanhola (Penélope Cruz, “Vicky Christina Barcelona”) e um australiano (Heath Ledger, “O Cavaleiro das Trevas”).

Nas outras categorias principais, o melhor filme “Quem quer ser Bilionário” é uma produção inglesa, e o seu realizador (Boyle) e argumentista (Simon Beaufoy) também britânicos. Quanto ao melhor argumento original, o Óscar foi para um norte-americano, Dustin Lance Black, por “Milk”.

Lista completa dos vencedores nas 24 categorias


Actriz secundária: PENELOPE CRUZ, VICKY CRISTINA BARCELONA

Argumento original: DUSTIN LANCE BLACK, MILK

Argumento adaptado: SIMON BEAUFOY, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Longa-metragem de animação: WALL-E

Curta-metragem de animação: LA MAISON EN PETITS CUBES

Cenografia: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Figurinos: A DUQUESA

Maquilhagem: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Fotografia: ANTHONY DOD MANTLE, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Curta-metragem: THE PIG

Actor secundário: HEATH LEDGER, O CAVALEIRO DAS TREVAS

Documentário de longa-metragem: HOMEM NO ARAME

Documentário de curta-metragem: SMILE PINKY

Efeitos Visuais: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Efeitos Sonoros: O CAVALEIRO DAS TREVAS

Som: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Montagem: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

Banda Sonora Original: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?

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Sean Penn se supera em “Milk” , o melhor filme da temporada

Posted in Óscares, Cinema, Comportamento with tags , , , , on 19 de Fevereiro de 2009 by gm54
Penn conquistou a sua quinta indicação ao Oscar

Penn conquistou a sua quinta indicação ao Oscar

Por A. O. Scott – Uma das primeiras cenas do filme “Milk” mostra uma paquera numa estação do metro nova-iorquino. É o ano de 1970, e um executivo da área de seguros, vestido de fato e gravata, avista um homem mais jovem em roupas surradas – a expressão “hippie com cara de anjo”, alusiva a Jack Kerouak,  surge na sua mente – e o provoca com um gracejo ao subir as escadas. O clima é sexy e descontraído e a cena acaba com os dois homens comendo um bolo de aniversário na cama.

O tom de brincadeira provocativa do momento é, de certa forma, afável, dadas as expectativas de um filme sério e importante baseado em factos históricos. Com direcção de Gus Van Sant e roteiro de Dustin Lance Black, “Milk” certamente é este tipo de filme, porém consegue fugir de muitas das armadilhas presentes em outros filmes que retratam a época, graças ao encanto e à tenacidade do seu personagem título.

Harvey Milk (interpretado por Sean Penn), um activista de bairro que acaba por ingressar na carreira política em San Francisco em 1977, é assassinado juntamente com o então prefeito da cidade, George Moscone (Victor Garber), por um ex-inspector chamado Dan White (Josh Brolin) no ano seguinte. Apesar da modéstia do seu cargo e do trágico encurtamento do seu mandato, Milk, um dos primeiros políticos a assumir a homossexualidade nos Estados Unidos, teve um impacto profundo na política nacional e influenciou a cultura do país, confirmando assim o seu status de pioneiro e mártir.

A sua curta carreira inspirou uma ópera de Stewart Wallace, um excelente documentário (“The Times of Harvey Milk”, de Rob Epstein, 1984) e agora o longa-metragem “Milk”,o melhor filme americano do circuito comercial que vi este ano. A propósito, não estou a jogar confete nesta produção, embora 2008 tenha sido um ano bastante medíocre para Hollywood. “Milk” é um filme acessível e instrutivo, uma crônica ardilosa sobre a política de cidade grande e o retrato de um guerreiro cuja paixão se equiparava à sua generosidade e ao seu bom humor. Sean Penn, actor de intensidade emocional e disciplina física incomparáveis, consegue se superar neste filme, interpretando um papel diferente de todos que já fez anteriormente.

É muito mais uma questão de temperamento do que de sexualidade: um actor heterossexual no papel de um homossexual não é mais nenhuma novidade. Bem diferente do seu personagem em “Sobre Meninos e Lobos” (Clint Eastwood), o ex-condenado Jimmy Markum, Harvey Milk é extrovertido e irônico, um homem cuja auto-imagem expansiva e às vezes até piegas camufla uma mente incisiva e uma vontade ferozmente obstinada. Sem fazer esforço, Senn consegue capturar tudo isso através da sua voz e gestual. Porém, o mais impressionante é a maneira como o actor consegue transmitir o princípio essencial da afabilidade de Milk, uma virtude pessoal que também funciona como princípio político.

Isso não quer dizer que “Milk” seja um daqueles filmes fáceis, que nos fazem sair do cinema com uma sensação boa, tampouco que o seu herói seja um tímido santo liberal. O filme traz uma raiva justificada e também um lirismo melancólico surpreendente. Van Sant sempre praticou um tipo de romantismo desinteressado, deixando as suas histórias se desenrolarem de maneira prosaica, ao mesmo tempo em que vai introduzindo toques de beleza melancólica (neste filme ele é ajudado pela musicalidade elegante de Danny Elfman e pela fotografia expressiva de Harris Savides, cujas habilidades de enquadramento e foco poderiam ser chamadas de carinho).

Nos anos posteriores a “Encontrando Forrester” (2000), Van Sant se dedicou a projectos menores, alguns deles (como o filme “Elefante”, vencedor da Palma de Ouro) com actores amadores, e nenhum deles com a preocupação de atender a aprovação do público de massa. “Uma Voz nas Sombras”, “Elefante”, “Últimos Dias” e “Paranoid Park” são ligados pelo espírito de exploração formal – elementos do estilo experimental de Van Sant incluem tomadas longas, narrativas fragmentadas e evasivas e uma maneira de compor as cenas enfatizando a textura visual e auricular sobre a exposição dramática convencional – além de uma preocupação com a morte.

James Franco forma par com Sean Penn em "Milk"

James Franco forma par com Sean Penn em "Milk"

Como nos filmes “Elefante” (inspirado no massacre ocorrido na escola Columbine High) e “Últimos Dias” (inspirado no suicídio de Kurt Cobain), “Milk” é a crônica da morte anunciada. Antes daquele encontro na estação de metro, já vimos vídeos reais a mostrar as consequências do assassinato de Milk, bem como fotos de homossexuais sendo detidos pela polícia. Estas imagens não estragam a intimidade entre Harvey, o executivo engomadinho, e Scott Smith (James Franco), o hippie com quem passa a ter um relacionamento marital e se torna o seu principal assessor de campanha. Ao invés disso, o constante risco de assédio, humilhação e violência é o contexto que define tal intimidade.

E a sua recusa em aceitar isso como um facto da vida, a sua insistência em ser quem ele é sem segredos ou vergonha, é o que faz o Milk boêmio, dono de uma loja de artigos fotográficos, transformar-se (depois de deixar Nova York e o segmento de seguros) num líder político.

Cinema biográfico, de política a sexo

“Meu nome é Harvey Milk e eu quero recrutá-lo”. Era com esta frase que Milk geralmente começava as suas palestras para quebrar a tensão entre o público hetero, mas o filme mostra-o apresentando a mesma introdução também para multidões dominantemente homossexuais, com uma inflexão ligeiramente diferente. Ele quer recrutá-los para a política democrática, para persuadi-los de que o estigma e a discriminação com os quais estão acostumados a aguentar em silêncio, e até mesmo com culpa, podem sem abordados através do voto, através da demonstração, através da reivindicação da parcela de poder que é de direito e responsabilidade de todo cidadão.

O roteiro de Black é forte por conseguir captar tanto o radicalismo da ambição política de Milk quanto o pragmatismo dos seus métodos. Para Milk, a política moderna prospera na intersecção confusa e muitas vezes gloriosa dos interesses sujos e dos ideais nobres. Pouco depois de mudar-se com Scott de Nova York para o bairro de Castro, em São Francisco, Milk começa a organizar os residentes gays da vizinhança, procurando aliados entre empresários, sindicatos e outros grupos.

A elite gay da cidade, incomodada por suas tácticas de confronto, o mantém à distância, deixando para ele a função de construir um movimento desde a base, com a ajuda de um jovem demagogo e um ex-michê chamado Cleve Jones (Emile Hirsch).

Por mais de duas horas intensas e animadas, Milk age de acordo com muitas das convenções do cinema biográfico, mesmo que nem sempre com os detalhes precisos da biografia do herói. O incansável comprometimento político de Milk acaba afectando os seus relacionamentos, primeiramente com Scott e depois com Jack Lira – um jovem instável e impulsivo vivido por Diego Luna com um entusiasmo lírico.

Filme retrata engajamento em São Francisco na década de 1970

Filme retrata engajamento em São Francisco na década de 1970

Entretanto, questões relativas à cidade de São Francisco são ofuscadas por um referendo estatal em prol dos direitos anti-gay e da cruzada nacional para derrubar leis municipais anti-discriminatórias, liderada pela garota propaganda dos comerciais de sumo de laranja Anita Bryant. É o desabrochar da guerra cultural, e Milk encontra-se no meio do campo de batalha (assim como 30 anos depois, no encalço da “Proposition 8”, referendo que eliminou o direito de casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia).

O filme “Milk” é uma fascinante lição de história cheia de nuances. Guardadas as proporções e variedades visuais, ao assisti-lo temos a impressão de ver um filme de Oliver Stone um pouco mais calmo, sem as hipérboles e melodramas edipianos. Porém, também é um filme que se assemelha a outros trabalhos recentes de Van Sant – e, curiosamente, também ao filme “Zodíaco”, de David Fincher, que gira em torno de outro facto ocorrido em São Francisco nos anos 70 – ao respeitar os limites da explanação psicológica e sociológica.

Dan White, antigo colega de Milk e o seu eventual assassino, assombra o filme representando tanto a banalidade quanto o enigma da maldade. Brolin o faz parecer ao mesmo tempo desprezível e assustador, sem fazê-lo parecido com um monstro ou com um palhaço. Motivos para o crime de White são sugeridos no filme, mas um relato claro demais dos mesmos poderia distorcer a terrível veracidade da estória, minando assim a força do filme.

Esta força encontra-se no seu estranho equilíbrio entre proporção e matiz, na sua habilidade de abordar praticamente tudo – amor, morte, política, sexo, modernidade – sem perder de vista as particularidades íntimas da sua história. Harvey Milk foi uma figura intrigante e inspiradora. “Milk” é um filme genial.

Estátuas gigantes do Oscar chegam a NY para cerimônia paralela

Posted in Óscares, Cinema with tags on 19 de Fevereiro de 2009 by gm54
éplicas com 2,5 metros de altura

éplicas com 2,5 metros de altura

Duas estátuas gigantes que representam as estatuetas do Oscar chegaram nesta quarta-feira, 18, a Nova York, onde ocorrerá uma cerimônia paralela à festa oficial no Teatro Kodak de Los Angeles para os membros da Academia que estiverem na costa leste americana.

A três vezes vencedora do Emmy Elaine Stritch recebeu as estátuas de 2,5 metros de altura cada, que percorreram as ruas nova-iorquinas num caminão antes de chegar ao hotel onde a cerimônia será realizada.

A Academia das Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos realiza desde 1990 uma cerimônia em Nova York, que reúne vários membros da instituição, muitos deles vencedores e indicados à estatueta.

A 81ª edição da premiação ocorrerá no dia 22 de fevereiro no Teatro Kodak de Los Angeles.

Filme de animação israelita candidato ao Oscar atrai árabes

Posted in Óscares, Cinema with tags , , , on 4 de Fevereiro de 2009 by gm54

Cena do Valsa com Bashir

Cena do Valsa com Bashir

Valsa com Bashir não pode ser assistido legalmente no Líbano, mas é possível comprar cópias do filme antiguerra israelita, indicado ao Oscar, no distrito de Hamra, em Beirute, onde o director Ari Folman viu a sua vida mudar 26 anos atrás.

É um dos maiores filmes que já vi na vida“, disse Lokman Slim, activista da organização libanesa UMAM, que visa preservar as memórias de guerra do país exibindo filmes relacionados com as suas décadas de conflitos.

Sinto ciúmes porque aqueles que devemos considerar nossos inimigos têm a coragem de tratar de factos nos quais tomaram parte, enquanto nós, libaneses, mantemos um silêncio interminável em relação a nossa história“, disse Lokman à Reuters, em Beirute.

Valsa com Bashir – o título faz referência à aliança de Israel com o líder cristão libanês da época, Bashir Gemayel – mistura documentário e animação para mostrar o trauma da invasão israelita de 26 anos atrás para expulsar guerrilheiros palestinos.

O filme termina com o massacre de centenas de palestinos pelos aliados libaneses de Israel nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, em Beirute.
Num relato baseado nas recordações de antigos companheiros de farda, Folman mostra a guerra nas cores berrantes de um livro de quadrinhos – até os momentos finais, quando se vêem cenas chocantes e reais de pilhas de corpos.

Filme de Ari Folman trata do massacre de palestinos em Sabra e Shatila
Filme de Ari Folman trata do massacre de palestinos em Sabra e Shatil

Cerca de 600 mulheres, crianças e idosos palestinos em Sabra e Shatila foram massacrados sob a luz de foguetes de iluminação disparados sobre Beirute pela unidade do exército israelita do qual Folman fazia parte, que recebera a ordem de ajudar a milícia falangista cristã a impor a ordem nos campos.

Folman era um recruta de 19 anos na época. O seu filme recebeu o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira de 2008 e foi indicado ao Oscar 2009 também na categoria de melhor filme estrangeiro.

Proibido no Líbano

Valsa com Bashir é proibido no Líbano devido às leis que impedem o comércio com Israel. Mas o interesse pelo filme é enorme.

Cópias em DVD pirateadas estão a senr vendidas por US$ 2 cada no distrito de Hamra, que aparece no filme como local de batalhas violentas entre guerrilheiros palestinos e a unidade de Folman no Exército.

Nem todos os libaneses estão satisfeitos com a versão de Folman da história.

“O filme mostra só uma parte da verdade. É como se o director dissesse ‘nós, israelitas, não cometemos esse crime – foram os falangistas'”, disse Ziad Moussa, professor aposentado em Ramallah, na Cisjordânia, onde Valsa foi exibido num centro cultural franco-alemão.

Mesmo assim, Moussa disse que o filme é “um passo na direcção certa” para sanar o passado sangrento entre israelitas e palestinos.

O massacre de Sabra e Shatila suscitou ultraje mundial, e uma comissão de inquérito formada em Israel responsabilizou indirectamente o então ministro da Defesa Ariel Sharon, forçando-o a renunciar do seu cargo.

A comissão concluiu que Sharon, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro, ignorou os avisos de que os falangistas massacrariam os refugiados palestinos para vingar-se da morte de centenas de civis cristãos por guerrilheiros palestinos no sul do Líbano, seis anos antes.

“Quem quer ser bilionário?” foi filmado no bairro da lata

Posted in Óscares, Cinema with tags , on 4 de Fevereiro de 2009 by gm54

o realismo

Danny Boule: o realismo

“Quer Ser Bilionário?”, o filme de Danny Boyle que parece cada vez mais ser um dos grandes favoritos para os Óscares. O Diário de Notícias de Portugal falou com o realizador, sobre esta esta experiência indiana. A entrevista foi publicada na edição desta quarta-feira, 4 de Fevereiro.

Como definiria a cidade de Bombaim?
A cidade é construída sobre dois grandes pilares. Um é o negócio, como em Nova Iorque: toda a gente está a fazer algum negócio, incluindo os mais pobres. O outro é o sonho, a dança dos filmes de Bollywood. É tudo isso que lhe dá a sua energia tão especial.
Houve alguns filmes sobre a Índia que lhe tivessem servido de referência ou inspiração?
Vi alguns filmes (que não mencionarei) que detestei e, de alguma maneira, foram uma grande ajuda: tinham precisamente o que eu não queria fazer. Aliás, faço questão em dizer que eu fiz um filme desses chamado A Praia, na Tailândia [produção de 2000, com Leonardo DiCaprio ]. Levei uma equipa de 150 pessoas, ocidentais, e eram como um exército invasor: chegam e limitam-se a fazer o filme que já levam na cabeça. Desta vez, levámos umas dez pessoas e, no essencial, fizemos tudo com uma equipa de Bollywood. Não faz sentido encarar as coisas com o olhar ocidental, julgando que a cidade não funciona: de facto, funciona, mas não de acordo com os nossos padrões. É preciso saber utilizar isso. E foram 20 horas por dia…
Qual foi o papel de Loveleen Tandan, a co-realizadora do filme?
Na origem, ela era directora de casting. E convém lembrar que esse foi um processo muito demorado, quanto mais não seja porque cada uma das duas personagens principais tem três intérpretes. Daí que tenha estabelecido com ela uma relação muito para além do casting, envolvendo também o argumento e as suas opções. Acabou por funcionar como minha consultora: ajudou-me imenso a corrigir os erros que o argumento continha, erros resultantes de um olhar ocidental. Além do mais, Loveleen é alguém que tem a ambição de vir a realizar filmes e, neste caso, acabei mesmo por lhe entregar a direcção da segunda equipa de filmagens.
O modo de filmagem tem algo de documental. Como foi, em particular, o tratamento do som?
O som em Bombaim é um fenómeno incrível de camadas e camadas… É o tipo de som que não é possível fabricar em estúdio. Claro que podíamos sempre corrigir uma ou outra fala dos actores, mas o ruído tem infinitos contrastes. Por exemplo, na confusão do trânsito, ao contrário do que estamos habituados, quem conduz está-se nas tintas para quem vem atrás; por isso mesmo, quem vem atrás tem por obrigação buzinar, de três em três segundos, para lembrar ao da frente que está ali. Bip! Bip! Para nós, quando ouvimos aquilo a primeira vez, temos a tradicional reacção ocidental de agressividade: “Que é que o fulano quer?” Mas depois percebemos que é apenas uma questão de delicadeza: “Bip! Bip! Lembra-te que eu estou aqui!”
Seja como for, os modos de filmagem não foram típicos de Bollywood.
A atitude normal em Bollywood é: “Querem um bairo da lata? Então construímos o bairro da lata no estúdio.” Mas neste caso a atitude era: “Queremos filmar no próprio bairro da lata.” E filmámos mesmo, incluindo na zona imensa onde são lançados os excrementos. Houve mesmo um elemento da equipa de som que caíu na vala… A dimensão britânica do filme passa por esse realismo: porque eu sou britânico, claro, mas também porque a nossa tradição é mais realista. Em Bollywood, estão-se nas tintas: o que conta é o sonho. Por alguma razão, os realizadores são conhecidos como “mercadores de sonhos”.

Ledger pode levar Oscar póstumo; veja todos os indicados

Posted in Óscares with tags , , on 23 de Janeiro de 2009 by gm54

Oscar - 22 de fevereiro, o dia D

Oscar - 22 de fevereiro, o dia D

O Oscar será entregue em 22 de fevereiro, em cerimônia que será apresentada pelo actor Hugh Jackman, uma alteração importante, pois a festa sempre teve no comando um comediante.

O Curioso Caso de Benjamin Button é o grande favorito, liderando a lista dos indicados da Academia com 13 indicações, incluindo a de melhor filme. Rendeu ainda uma indicação a Brad Pitt como melhor actor, a Taraji P. Henson como coadjuvante e a David Fincher de melhor director.  O filme chega perto de outros recordistas de indicações: All About Eve, de Joseph L. Mankiewicz, com Bette Davis, que em 1951 ganhou cinco estatuetas, mas teve 14 indicações, mesmo número obtido por Titanic, de James Cameron, em 1997, quando levou 11 prêmios.

Outro favorito desta 81.ª edição do Oscar é Quem Quer Ser um Milionário?, o filme vencedor de quatro Globos de Ouro, incluindo o de melhor filme. Foi indicado em nove categorias e ainda disputa com duas composições na categoria de melhor canção: ‘Jai Ho’ e ‘O Saya’.  Com oito indicações aparecem Milk – A Voz da Liberdade e Batman – O Cavalheiro das Trevas, enquanto O Leitor e A Dúvida, ficaram com cinco cada um. Todos estão indicados na categoria melhor filme, incluindo ainda Froost/Nixon.

A primeira categoria anunciada foi a de melhor actriz coadjuvante. Sem surpresas, entra na disputa a actriz espanhola Penélope Cruz, por Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen. É a segunda indicação da actriz ao Oscar, que disputou como melhor actriz com Volver, de Almodóvar, em 2006. As outras concorrentes da categoria são Viola Davis(A Dúvida), Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button), Amy Adams (A Dúvida) e Marisa Tomei (O Lutador).

Meryl Streep, a recordista de indicações, vai subir ao palco da cerimônia do Oscar pela 15.ª vez, pelo seu desempenho em A Dúvida, que promete ser um show de interpretação, pois também rendeu uma indicação de melhor actor coadjuvante a Philip Seymour Hoffman e de melhor actriz coadjuvante a duas actrizes do filme: Amy Adams e Viola Davis. Meryl concorre na categoria de melhor actriz com Angelina Jolie (A Troca),  Anne Hathaway (O Casamento de Rachel), Melissa Leo (Frozen River) e Kate Winslet, a vencedora do Globo de Ouro por seu papel no filme O Leitor .

O actor Heath Ledger poderá ganhar o primeiro Oscar póstumo da história do prêmio, pela sua interpretação do vilão Coringa, de Batman – O Cavalheiro das Trevas. Hoje, 22, faz um ano que o australiano Ledger, de 28 anos, foi encontrado morto no seu quarto por uma overdose de remédios. Ledger foi indicado ao Oscar em 2006 pelo seu papel de destaque como o caubói gay em O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee. Perdeu para Philip Seymour Hoffman, vencedor por Capote. Hoffman concorre este ano com Ledger na categoria de melhor actor coadjuvante pelo filme A Dúvida. Também concorrem nesta categoria os actores Robert Downey Jr. (Trovão Tropical), Josh Brolin (Milk) e Michael Shannon (Foi Apenas um Sonho).

O troféu de melhor actor será disputado por Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button), Richard Jenkis (The Vistor), Frank Langella (Frost/Nixon), Sean Penn (Milk – A Voz da Liberdade) e Mickey Rourke (O Lutador).