Arquivo de EUA

Com Obama, surge a Casa Branca 2.0

Posted in Novas tecnologias, Política Internacional with tags , on 22 de Janeiro de 2009 by gm54

uma presidência aberta e participativa

Obama: uma presidência aberta e participativa

Na internet, a transição para a gestão de Barack Obama aconteceu em tempo real. Poucos instantes após o fim do juramento de Barack Obama, o site da Casa Branca já estava sob nova direção. Agora, o Executivo americano tem um blog no qual serão publicadas notícias e outras informações sobre o governo. Obama também disponibilizará no site um videocast semanal aos sábados para se comunicar com os americanos.

Entre outras mudanças, saíram os perfis de George W. Bush, Laura, Barney (o cão do ex-presidente), Dick e Linn Cheney, e entraram os de Obama, a primeira-dama, Michelle, do vice-presidente Joe Biden, e da sua esposa, Jill.

O site também ganhou quatro destaques em flash na parte principal. A secção com a história dos presidentes americanos e com curiosidades da Casa Branca foi reformulada e ganhou mais navegabilidade. A íntegra e o vídeo do discurso de posse já foram disponibilizados no site. Todo o programa do governo de Obama também está disponível na rede.

Segundo Macon Philips, director de novas mídias para a Casa Branca, e um dos “blogueiros” oficiais do site, Obama pretende conectar-se com o mundo e com os EUA por meio do portal. O americano poderá informar-se sobre as principais decisões do governo por meio do RSS do blog e receber alertas por e-mail.

“O presidente Obama está comprometido a tornar a administração mais aberta e transparente da história”, postou Phillips. Os internautas também podem participar mandando sugestões e trabalhando em conjunto para inserir novas funcionalidades ao site.

Internet e a campanha

A relação de Obama com a internet foi um dos factores decisivos para o sucesso da sua campanha. O democrata usou os repositórios de vídeos, como o You Tube, de fotos, como o Flickr, e sites de relacionamento, como o My Space, como ferramenta para arregimentar seguidores e doações.

Em parte graças a isso, o democrata bateu todos os recordes de financiamento de campanha. Obama arrecadou 742 milhões de dólares, segundo o Center for Responsive Politics, uma ONG americana que fiscaliza o custo das campanhas eleitorais. Pelo menos 54% deste dinheiro veio de doações menores de 200 dolares, geralmente feitas pela internet

Blackberry

Obama também é viciado em tecnologia. O seu parceiro inseparável durante a campanha foi um celular Blackberry, com o qual disparava e-mails para contactos importantes. Agora presidente, ele terá de se afastar do companheiro. Embora possa manter arquivos sobre a sua vida privada, a lei americana é bastante restrita sobre informações confidenciais. Assim, Obama deu adeus ao seu gadget favorito.

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Barack Obama falou da América para o mundo (*)

Posted in Política Internacional with tags , on 22 de Janeiro de 2009 by gm54

Discurso dirigido para a América e para o mundo

Discurso dirigido para a América e para o mundo

O discurso de tomada de posse de Barack Obama não foi uma peça de oratória brilhante, iluminada, como algum romantismo poderia desejar, mas cumpriu com o que, realisticamente, se devia esperar: palavras fortes, ideias claras, uma comunicação da nova era global dirigida da América para o mundo.

Em cerca de 20 minutos, o 44. º Presidente dos Estados Unidos bateu substantivamente em todas as áreas delicadas deste seu princípio de mandado, internas e externas.

Obama falou com a dimensão que as suas origens lhe permitem e com o modernismo que lhe está associado. Foi religiosamente pluralista, aludindo às várias crenças americanas (cristãos, muçulmanos, judeus e hindus); mostrou as preocupações ambientais e energéticas que dominam a actualidade (pedindo as apostas no uso da energia do sol, do mar e do vento); e, sobretudo, insistiu no diálogo com todos os países democráticos e pacíficos para se encontrarem soluções globais para problemas globais, entre eles os da segurança e os da fome.

Após as promessas de campanha, foi também notório que o novo Presidente quis desfazer algumas das ilusões que existiam em seu redor, porque está consciente da dura realidade que o espera perante a mais grave crise económico-financeira dos últimos 80 anos e sabe que os Estados Unidos já não são o único país que reboca o mundo.

Durante o discurso viu-se igualmente um líder que apostou em pequenos sinais para mostrar quem é e o que quer ser. O Presidente da era tecnológica, de PDA na mão, que vai construir o futuro a partir do seu passado, quando o pai não conseguia entrar em alguns restaurantes. Dessa preocupação com os sinais nasceu a escolha de uma cubana para estilista da mulher e a selecção dos dois momentos musicais da tarde, com Aretha Franklin, a voz da soul, símbolo da América negra, e uma orquestra mista com uma hispânica ao piano, um asiático no violoncelo, um negro no clarinete e um judeu no violino.

A essência do discurso mostrou um Obama realista, que não assume sozinho a responsabilidade de resolver todos os problemas actuais. Fazendo uma reinterpretação da frase mítica de John F. Kennedy — “não perguntem o que o vosso país pode fazer por vocês; perguntem o que podem fazer pelo vosso país” -, apelou à cidadania e à mobilização de todos como única forma de restabelecer a confiança na economia e no sistema financeiro, assumindo que é preciso a consciência de estarmos a viver uma nova era. O mundo mudou e é preciso que todos repensem o seu papel de cidadãos livres.

O novo Presidente americano pode, ainda, sentir-se orgulhoso da participação que conseguiu incutir aos seus compatriotas. Washington assistiu ontem ao terceiro maior movimento de massas expontâneo da história moderna com mais de um milhão de pessoas. De semelhante, antes, só a confraternização dos cidadãos das duas Alemanhas logo após a queda do muro de Berlim e a mobilização, apesar dos riscos, dos timorenses para o referendo.

O discurso, tudo somado, esteve à altura do momento histórico que estamos a viver. Teve esperança, mas não vendeu ilusões, que seriam tão desnecessárias quanto absurdas. E algumas das suas palavras, sobretudo as dedicadas à participação dos cidadãos no afrontar dos problemas, são válidas e oportunas em todos os cantos do mundo.

(*) Editorial do Diário de Notícias, 21/01/09