Arquivo de Cinema

Filme “A Ilha dos Espíritos” apresentado na sede da UNESCO em Paris

Posted in Africa, Cinema, História with tags , , , on 14 de Outubro de 2009 by gm54
A película aborda a história da Ilha de Moçambique, que muito antes de dar o nome ao país, durante séculos, teve um papel fundamental no Oceano Índico, como ponto de escala para navegadores do Oriente e do Ocidente que procuravam alargar as fronteiras do mundo

A película aborda a história da Ilha de Moçambique, que muito antes de dar o nome ao país, durante séculos, teve um papel fundamental no Oceano Índico, como ponto de escala para navegadores do Oriente e do Ocidente que procuravam alargar as fronteiras do mundo

O filme moçambicano, “A Ilha dos Espíritos”, sobre a Ilha de Moçambique, foi projectado para um auditório constituído pelos participantes da 35ª. Conferência Geral da Organização para a Educação, Ciência e Cultura das Nações Unidas (UNESCO), que decorreu na sua sede, Paris, semana passada. A projecção fez parte de uma sessão especial sobre Moçambique, que teve como tema a “Diversidade Cultural e Desenvolvimento Sustentável”.

“A Ilha dos Espíritos”, um documentário de 63 minutos, foi realizado por Licínio de Azevedo e co-produzido pela Ebano Multimédia e Technoserve. Foi estreiado durante o IV Dockanema, Festival do Filme Documentário, que decorreu em Maputo de 11 a 20 de setembro último.

A película aborda a história da Ilha de Moçambique, que muito antes de dar o nome ao país, durante séculos, teve um papel fundamental no Oceano Índico, como ponto de escala para navegadores do Oriente e do Ocidente que procuravam alargar as fronteiras do mundo conhecido até então. Nela (película) intervêem um historiador especializado na ilha e um arqueólogo marítimo que traz à superfície tesouros há muito perdidos em naufrágios.

O quotodiano dos habitantes da Ilha de Moçambique, actividades, hábitos, cultura, é nos dado a conhecer por inúmeros outros personagens: um pescador que relata as aventuras na sua frágil embarcação; o “porteiro” da ilha que controla quem entra e sai dela pela ponte que a liga ao continente; uma famosa dançarina e animadora cultural; uma coleccionadora de capulanas e jóias antigas; uma conhecedora dos seres mágicos que povoam o imaginário colectivo dos ilheus.

Jimi Hendrix vai ter um “biopic”

Posted in Word Music with tags , , , on 1 de Setembro de 2009 by gm54

Jimi Hendrix 2

Desta vez parece que nem a meia-irmã, Janie, vai impedir que a coisa avance (pelo menos até certo ponto): depois de vários projectos recusados pela entidade gestora do legado de Jimi Hendrix, presidida por Janie, a Legendary Pictures vai avançar com um “biopic” sobre aquele que foi o maior guitarrista “rock” de sempre (“Rolling Stone” dixit). Dados os exemplos do realizador John Hillman e da Dragonslayer Films, em 2006 (não conseguiram direitos da música), a ideia é inverter o processo: arrancar com o filme primeiro e conseguir autorização depois.

A chegar aos cinemas, segundo a “Variety”, o filme deve retratar a vida do músico desde a sua passagem pelo exército norte-americano e o super-estrelato atingido em Woodstock até à morte, a sua pouco explicada morte num hotel de Londres em 1970, com compridos e álcool à mistura.

Depois dos planos abortados em anos recentes envolvendo músicos como Lenny Kravitz e Andre Benjamin dos Outkast, não houve ainda comentários sobre o elenco. Sabe-se apenas que Thomas Tull e Bill Gerber seriam os produtores e que o argumento é de Max Borenstein.

Cinema: O eterno fascínio dos filmes de ‘gangsters’

Posted in Uncategorized with tags , , , on 6 de Agosto de 2009 by gm54

O filme “Inimigos Públicos”, é o mais recente de Michael Mann, que apresenta Johny Depp a recriar a figura de John Dillinger, um dos mais célebres ‘gangsters’ da América dos anos 30. O filme reflecte uma vez mais uma antiga atracção do cinema norte-americano por este universo.

Padrinho_b1

Quando John Dillinger foi morto pelo FBI em Chicago, a 22 de Julho de 1934, à saída do Biograph Theater, tinha acabado de ver Manhattan Melodrama, um filme de gangsters com Clark Gable, William Powell e Myrna Loy. Ou seja, tinha estado a entreter-se com uma encenação cinematográfica da sua actividade, mas por razões óbvias, nunca ninguém chegou a saber o que Dillinger achou do filme.
Na sua crítica no The New York Times a Inimigos Públicos, de Michael Mann, Manohla Dargis refere o “perene romance” que o cinema americano tem com os “criminosos de época”. E apesar de ultimamente, Hollywood não ter sido muito fiel a essa relação (o último filme de gangsters de nota foi Os Intocáveis, de Brian De Palma), ainda a Lei Seca estava em vigor e muitos dos mais temidos nomes do crime estavam vivos e em actividade.
Alguns dos melhores desses filmes continuam a ser os primeiros, quer pelo talento dos seus realizadores e argumentistas e pelo carisma imperecível dos seus actores, quer por um realismo directamente bebido nos acontecimentos e nas figuras retratadas. É o caso de O Pequeno César, de Mervyn Le Roy (1931), com Edward G. Robinson; de O Inimigo Público, de William Wellman (1931), tão popular na altura que chegou a passar em sessões contínuas, com James Cagney no papel que o lançou e instalou a sua imagem de “duro”; ou de Scarface, de Howard Hawks, com Paul Muni (1932), este vagamente baseado na vida de Al Capone. Que, diz-se, gostava tanto da fita, que tinha uma cópia para ver em privado.
Se o western é a epopeia americana, o filme de gangsters pode ser encarado como o anti-épico, um género de ambiente urbano, com personagens anti-heróicas e não-exemplares, representativo de valores negativos, gerados pelo lado mais negro da sociedade dos EUA. Mas como notou a citada crítica do The New York Times, os espectadores, americanos ou não, sentados na segurança confortável dos cinemas, desde logo se mostraram fascinados pelas vidas, pelas histórias e pelas acções dos gangsters, reais ou ficcionais. E os estúdios têm continuado a alimentar essa fascinação ao longo das décadas.
John Dillinger, por exemplo, teve a primeira aparição no cinema em Dillinger, de Max Nosseck (1945), interpretado por Lawrence Tierney, foi biografado por John Milius, com os traços de Warren Oates, no empolgante Dillinger (1973), e Lewis Teague contou a história da mulher que o traiu ao FBI numa excelente série B de 1979, A Mulher de Vermelho. James Cagney tornou-se no gangster’s gangster graças a Anjos de Caras Sujas, de Michael Curtiz (1938), The Roaring Twenties, de Raoul Walsh (1939) – em ambos ao lado de um Humphrey Bogart em ascensão – ou Fúria Sanguinária, também de Walsh (1949). Roger Corman filmou o Massacre de S. Valentim em O Grande Massacre (1967), e deu a Charles Bronson o papel do título em Machine-Gun Kelly (1958), enquanto Don Siegel transformou Mickey Rooney em Baby Face Nelson no filme homónimo de 1957. Arthur Penn filmou Bonnie e Clyde (1967) retratando o casal de assaltantes de bancos como (duvidosos) heróis populares da Grande Depressão, e Barry Levinson deu a Warren Beatty o papel principal em Bugsy (1991), sendo muito criticado por branquear o lado violento e sociopata de Bugsy Siegel.
O gangster movie até já gerou musicais com crianças (Bugsy Malone, de Alan Parker, 1976) e paródias (Johnny Perigosamente, de Amy Heckerling, 1984). E o genial Quanto Mais Quente, Melhor, de Billy Wilder (1959) é também um pouco um filme do género, contando com a presença de George Raft. Que, por ter sido amigo de muitos bandidos famosos e do citado Bugsy Siegel em particular, fez a ponte entre o mundo dos gangsters reais e o do cinema que, embora esporadicamente, ainda continua a pô-los em cena.

Africanos contam as suas próprias histórias em festival de cinema

Posted in Cinema with tags , , , on 18 de Maio de 2009 by gm54
Mahen Bonetti - "Dispensamos ajuda de fora no cinema"

Mahen Bonetti - "Dispensamos ajuda de fora no cinema"

Incentivados por equipamentos de vídeo de baixo custo, jovens africanos vêm infundindo ao cinema do continente um ânimo que não era visto desde os movimentos independentes dos anos 1960, diz a directora do Festival de Cinema Africano de Nova Iorque.

Mahen Bonetti disse que o crescimento do cinema africano, inspirado pelo sucesso da florescente indústria do cinema da Nigéria, conhecida como “Nollywood”, está a permitir a países como Quênia, Etiópia e Ruanda a dar um impulso nos seus próprios sectores do cinema.

A indústria do cinema da Nigéria movimenta 450 milhões de dólares e é a terceira maior do mundo, depois de Hollywood e de Bollywood, esta última da Índia.

O festival, que terá lugar entre 22 e 25 de maio na Brooklyn Academy of Music, vai exibir filmes feitos em todo o continente africano.

A edição deste ano do festival inclui “In My Genes”, da cineasta queniana Lupita Nyongo, sobre o estigma que cerca o albinismo, e “Paris or Nothing”, da directora camaronesa Josephine Ndagnou, sobre uma jovem que se muda para Paris.

Quatro curtas-metragens de membros da colectiva “Cineastas Contra o Racismo” exploram a violência xenófoba que explodiu na África do Sul no verão passado.

“É um renascimento”, disse Bonetti, 52 anos. “Estes jovens cineastas podem comprar o seu próprio computador, até mesmo a sua própria câmera. E podem até editar os seus filmes em casa, em África. Isso tem lhes dado muita autonomia”.

Enquanto vários directores africanos são amplamente conhecidos – entre eles se destaca o falecido Ousmane Sembene, do Senegal, visto como o pai do cinema africano, Bonetti diz que a maioria dos filmes feitos sobre o continente até hoje repetiu estereótipos.

Os cineastas africanos vêm tendo dificuldade em ampliar o sucesso de Sembene, que começou em meados dos anos 1960, em parte porque as guerras civis e a turbulência ceifaram o florescimento cultural que acompanhou o fim dos governos coloniais, disse Bonetti.

Os directores africanos dependem em grande medida de financiadores europeus para fazer os seus filmes, disse ela, facto que limitava o que eles podiam produzir. Mas a chegada de equipamentos de baixo custo e de softwares de edição amplamente disponíveis mudou esta situação.

“Esse fenômeno do vídeo é, em certo sentido, a resposta para a própria indústria do cinema”, afirmou Bonetti. “Essa produção de vídeos caseiros virou um modelo para a criação de vários países, dando um incentivo grande a seus cinemas. Não precisamos mais buscar ajuda de fora”.

Bonetti, que cresceu em Serra Leoa nos anos 1960, descreve-se como tendo ficado “congelada” nessa época. Os seus pais eram activos na política, e, após a independência, em 1961, o seu tio Milton Margai foi o primeiro primeiro-ministro do país.

Bonetti deixou Serra Leoa e, em 1980, acabou seguindo dois de seus irmãos, fixando-se em Nova Iorque.

Woody Allen processa marca de roupa

Posted in Uncategorized with tags , , on 17 de Abril de 2009 by gm54


ng1139812

O realizador norte-americano pôs um processo em tribunal contra a American Apparel, marca de roupa americana, por uso indevido da sua imagem num spot publicitário.

O realizador exige uma indemnização no valor de 7,5 milhões de euros, alegando que o anúncio em causa prejudica o seu bom nome.

NKidman: Woody Allen terá a actriz no seu filme

Posted in Uncategorized with tags , , on 1 de Abril de 2009 by gm54


woody-allen

A actriz australiana Nicole Kidman é a mais recente aquisição de Woody Allen para o seu próximo filme, que vai contar ainda com Antonio Banderas, Anthony Hopkins, Josh Brolin e Freida Pinto.

A nova história do realizador nova-iorquino vai ser rodado em Londres em meados deste ano.(X)

“Quem quer ser bilionário?” foi filmado no bairro da lata

Posted in Óscares, Cinema with tags , on 4 de Fevereiro de 2009 by gm54

o realismo

Danny Boule: o realismo

“Quer Ser Bilionário?”, o filme de Danny Boyle que parece cada vez mais ser um dos grandes favoritos para os Óscares. O Diário de Notícias de Portugal falou com o realizador, sobre esta esta experiência indiana. A entrevista foi publicada na edição desta quarta-feira, 4 de Fevereiro.

Como definiria a cidade de Bombaim?
A cidade é construída sobre dois grandes pilares. Um é o negócio, como em Nova Iorque: toda a gente está a fazer algum negócio, incluindo os mais pobres. O outro é o sonho, a dança dos filmes de Bollywood. É tudo isso que lhe dá a sua energia tão especial.
Houve alguns filmes sobre a Índia que lhe tivessem servido de referência ou inspiração?
Vi alguns filmes (que não mencionarei) que detestei e, de alguma maneira, foram uma grande ajuda: tinham precisamente o que eu não queria fazer. Aliás, faço questão em dizer que eu fiz um filme desses chamado A Praia, na Tailândia [produção de 2000, com Leonardo DiCaprio ]. Levei uma equipa de 150 pessoas, ocidentais, e eram como um exército invasor: chegam e limitam-se a fazer o filme que já levam na cabeça. Desta vez, levámos umas dez pessoas e, no essencial, fizemos tudo com uma equipa de Bollywood. Não faz sentido encarar as coisas com o olhar ocidental, julgando que a cidade não funciona: de facto, funciona, mas não de acordo com os nossos padrões. É preciso saber utilizar isso. E foram 20 horas por dia…
Qual foi o papel de Loveleen Tandan, a co-realizadora do filme?
Na origem, ela era directora de casting. E convém lembrar que esse foi um processo muito demorado, quanto mais não seja porque cada uma das duas personagens principais tem três intérpretes. Daí que tenha estabelecido com ela uma relação muito para além do casting, envolvendo também o argumento e as suas opções. Acabou por funcionar como minha consultora: ajudou-me imenso a corrigir os erros que o argumento continha, erros resultantes de um olhar ocidental. Além do mais, Loveleen é alguém que tem a ambição de vir a realizar filmes e, neste caso, acabei mesmo por lhe entregar a direcção da segunda equipa de filmagens.
O modo de filmagem tem algo de documental. Como foi, em particular, o tratamento do som?
O som em Bombaim é um fenómeno incrível de camadas e camadas… É o tipo de som que não é possível fabricar em estúdio. Claro que podíamos sempre corrigir uma ou outra fala dos actores, mas o ruído tem infinitos contrastes. Por exemplo, na confusão do trânsito, ao contrário do que estamos habituados, quem conduz está-se nas tintas para quem vem atrás; por isso mesmo, quem vem atrás tem por obrigação buzinar, de três em três segundos, para lembrar ao da frente que está ali. Bip! Bip! Para nós, quando ouvimos aquilo a primeira vez, temos a tradicional reacção ocidental de agressividade: “Que é que o fulano quer?” Mas depois percebemos que é apenas uma questão de delicadeza: “Bip! Bip! Lembra-te que eu estou aqui!”
Seja como for, os modos de filmagem não foram típicos de Bollywood.
A atitude normal em Bollywood é: “Querem um bairo da lata? Então construímos o bairro da lata no estúdio.” Mas neste caso a atitude era: “Queremos filmar no próprio bairro da lata.” E filmámos mesmo, incluindo na zona imensa onde são lançados os excrementos. Houve mesmo um elemento da equipa de som que caíu na vala… A dimensão britânica do filme passa por esse realismo: porque eu sou britânico, claro, mas também porque a nossa tradição é mais realista. Em Bollywood, estão-se nas tintas: o que conta é o sonho. Por alguma razão, os realizadores são conhecidos como “mercadores de sonhos”.